Claudete MatosComunicação Interpessoal: Se complica, simplifica!

Comunicação Interpessoal: Se complica, simplifica!

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​Em um dos treinos sobre comunicação que realizei para os líderes do BK, usei a brincadeira do telefone sem fio para aplicar a ideia de que uma mensagem nem sempre é recebida da mesma forma como foi enviada.

Quantas vezes nos deparamos com situações assim em nossas vidas? Quantas vezes tentamos nos expressar e acabamos sendo mal-entendidos ou mal interpretados? E quantas vezes a mensagem chega até nós e, quando verificamos os fatos, descobrimos que não tinha nada a ver com o conteúdo original?

​Segundo a Universidade de Albany, Nova York, “nossas habilidades de comunicação interpessoal são as ferramentas que utilizamos para interagir e compartilhar ideias com os outros. No ambiente de trabalho, as pessoas empregam essas habilidades regularmente ao participar de sessões de brainstorming, compartilhar informações e colaborar com colegas, clientes e outros profissionais externos à organização.”

​Na minha última crônica, falamos sobre a comunicação interpessoal como o processo de troca de informações, ideias e sentimentos entre duas ou mais pessoas. Não necessariamente no ambiente profissional, mas também fora dele, ajudando os indivíduos a interagirem com sucesso com amigos e familiares.

​Há situações em que apenas “pôr os pingos nos is” não é suficiente. Se o outro não está apto a receber a mensagem, corremos o risco de uma confusão maior.

​E como fazer para aprimorar a nossa comunicação para que a mensagem original chegue ao seu destino com o mesmo propósito com que foi gerada? É possível se aplicarmos algumas dessas habilidades, pontos fundamentais e pilares que reforçam essa estrutura:

1. Os Três Elementos da Mensagem

Na maioria das vezes focamos apenas nas palavras, mas a comunicação é um conjunto. O psicólogo Albert Mehrabian, da Universidade da Califórnia (UCLA), formulou uma regra famosa (7-38-55) sobre a percepção de sentimentos:

  • 7% Verbal: As palavras exatas que você usa.
  • 38% Vocal: O tom de voz, a velocidade e a entonação.
  • 55% Não-verbal: Expressões faciais, gestos e postura corporal.

​Isso nos faz analisar o porquê de um “está tudo bem”, dito com os braços cruzados e tom ríspido, comunicar exatamente o oposto.

2. O Ruído na Comunicação

O ruído é qualquer interferência que distorce a mensagem. Na analogia dos “pingos nos is”, ele é a falta do pingo. Pode ser:

  • Físico: Barulho externo, como um telefonema quando estamos dirigindo ou mesmo quando o som da chuva torna a conversação desafiadora. Isso acontece muito comigo. Preste atenção nas suas conversas ao telefone e à privacidade; buscar um ambiente fechado torna o diálogo mais nítido.

 

  • Psicológico: Preconceitos, ansiedade ou estresse que fazem a pessoa ouvir algo diferente do que foi dito. Isso é muito comum quando estamos chateados com alguma situação. É o que ocorre quando você interpreta uma mensagem escrita com o tom de voz baseado em seus próprios sentimentos, e não necessariamente no da pessoa que a enviou.

3. Escuta Ativa vs. Escuta Passiva

A comunicação não é apenas sobre falar bem, mas sobre ouvir com intenção. É como uma música: você ouve a melodia, mas a letra precisa ser sentida.

  • Escuta Passiva: Você ouve o som, mas está apenas esperando sua vez de falar. Na verdade, você não absorveu a mensagem por completo.

 

  • Escuta Ativa: Você se esforça para entender o conteúdo e a emoção do outro. Isso envolve manter contato visual, balançar a cabeça e fazer perguntas de esclarecimento (“Deixe-me ver se entendi o que você quis dizer…”).

4. A Assertividade

Ser assertivo é o equilíbrio entre a passividade (não falar o que pensa) e a agressividade (falar de forma ofensiva). Um comunicador assertivo “coloca os pingos nos is’” de forma clara, direta e respeitosa, defendendo seus direitos e opiniões sem violar os do outro.

​A brincadeira do telefone que apresentei no treino dos meus líderes iniciou com uma mensagem passada por uma gerente a uma equipe numa troca de turnos. A intenção dela foi expressar a sua frustração aos gerentes do turno diurno pelas tarefas não finalizadas. Porém, quando a mensagem chegou ao destino final, a referência era de que o turno do dia era melhor que o da noite.

​Diante disso, vale a reflexão: nas suas conversas do dia a dia, você tem se certificado de que a sua mensagem realmente chegou ao destino com o pingo no “i” correto, ou está deixando o “telefone sem fio” assumir o controle?

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