Mesmo em meio a um cenário de forte instabilidade e incertezas sobre o futuro político da Venezuela, três nomes ligados ao núcleo duro do chavismo surgem como os mais cotados para assumir o comando do país após a detenção do presidente Nicolás Maduro.
Neste sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, foram detidos e retirados da Venezuela após uma ação que classificou como um ataque “em grande escala”. Em coletiva de imprensa realizada na Flórida, Trump declarou que o governo norte-americano passará a administrar a Venezuela temporariamente, até que seja concluído um processo de transição política.
Segundo o presidente americano, os Estados Unidos permanecerão no controle do país “até que possamos realizar uma transição segura, adequada e criteriosa”. Trump não estabeleceu prazo para o fim da ocupação e afirmou que caberá exclusivamente aos EUA decidir quando o controle será devolvido aos venezuelanos.
“Não queremos que outra pessoa assuma o poder e enfrentemos a mesma situação dos últimos anos. Vamos governar o país até que essa transição seja feita de forma segura e responsável”, declarou.
Ainda neste sábado, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, exigiu do governo norte-americano provas de vida de Nicolás Maduro e de Cilia Flores. Mais cedo, Trump havia publicado em sua rede social, Truth Social, uma imagem que, segundo ele, mostra Maduro a bordo do navio militar USS Iwo Jima, que estaria transportando o líder venezuelano para os Estados Unidos.
O governo venezuelano classificou a ação como uma “gravíssima agressão militar” e denunciou a ocorrência de explosões e sobrevoos de aeronaves em Caracas e em outras regiões do país.
Os nomes fortes do chavismo
Ao lado de Delcy Rodríguez, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, e o ministro do Interior, Diosdado Cabello, são apontados como as figuras mais influentes do chavismo neste momento. Os três integram há mais de uma década o círculo mais próximo de Maduro e ocupam cargos estratégicos, exercendo peso direto nas decisões do governo.
Eles também são considerados os principais candidatos a assumir o poder caso os Estados Unidos não avancem para uma mudança total de regime após a detenção do presidente.
Delcy Rodríguez
Atual vice-presidente executiva da Venezuela, Delcy Rodríguez é, constitucionalmente, a primeira na linha de sucessão. Figura central do governo, ela atua como uma das principais articuladoras políticas do chavismo, tanto no cenário interno quanto no exterior.
Rodríguez afirmou que seu governo “desconhece o paradeiro” de Maduro e da primeira-dama e reforçou o pedido por provas de vida. Com passagem por diversos ministérios — incluindo Comunicação, Economia, Relações Exteriores e, mais recentemente, Petróleo —, ela também presidiu a Assembleia Nacional Constituinte eleita em 2017.
Formada em Direito, Rodríguez é alvo de sanções impostas pela União Europeia e pelos Estados Unidos, acusada de envolvimento em violações de direitos humanos e no enfraquecimento da democracia venezuelana.
Vladimir Padrino López
Ministro da Defesa desde 2014, Vladimir Padrino López é o chefe das Forças Armadas venezuelanas e uma das figuras mais poderosas do regime. Após os acontecimentos deste sábado, anunciou a mobilização imediata das tropas em todo o país e fez um apelo à unidade nacional.
Leal a Hugo Chávez e, posteriormente, a Maduro, Padrino teve papel decisivo na consolidação do poder militar no governo. Especialistas apontam que, atualmente, a estrutura das Forças Armadas venezuelanas está fortemente centralizada em sua liderança.
Diosdado Cabello
Ministro do Interior, Justiça e Paz, Diosdado Cabello é considerado um dos políticos mais influentes e temidos do chavismo. Foi o único integrante da cúpula do poder visto publicamente nas ruas de Caracas após o ataque, aparecendo escoltado por forças de segurança.
Ex-militar, Cabello participou da tentativa de golpe liderada por Hugo Chávez em 1992 e ocupou diversos cargos estratégicos desde a chegada do chavismo ao poder. Ele é uma das principais lideranças do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e comanda o programa de televisão estatal Con el mazo dando, uma das maiores plataformas de propaganda do regime.
Alvo de sanções internacionais desde 2018, Cabello representa a chamada “ala dura” do chavismo e mantém forte influência política e midiática.
Futuro indefinido
Com a detenção de Nicolás Maduro e a declaração dos Estados Unidos de que irão administrar temporariamente a Venezuela, o futuro do país permanece indefinido. Enquanto isso, Delcy Rodríguez, Vladimir Padrino López e Diosdado Cabello despontam como os principais nomes capazes de liderar o chavismo em um dos momentos mais críticos da história recente venezuelana.










