Um crime de latrocínio praticado com extrema violência em novembro de 2025, na localidade de Areia Branca, em Timbé do Sul, resultou na morte de um idoso de 80 anos e chocou a região. Após a conclusão das investigações da Polícia Civil, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apresentou denúncia contra quatro homens, a qual já foi recebida pela Justiça.
Segundo a ação penal pública proposta pela 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Turvo, os réus devem responder pelos crimes de latrocínio (roubo seguido de morte) e tortura, com agravantes de dissimulação, crime cometido contra pessoa idosa e, para dois dos acusados, reincidência criminal e liderança da ação criminosa. O MPSC também requer a fixação de um valor mínimo para reparação de danos materiais e morais à família da vítima.
Planejamento e execução do crime
De acordo com a denúncia, os fatos teriam começado ainda na manhã de 19 de novembro de 2025, quando um dos investigados visitou o idoso sob o pretexto de procurar trabalho como caseiro. Durante a conversa, a vítima teria mencionado guardar dinheiro em casa e mostrado um revólver calibre .38, informações que, conforme a investigação, teriam sido usadas posteriormente no planejamento do crime.
Ainda conforme o Ministério Público, durante a tarde os acusados se reuniram na casa de um dos envolvidos, que teria servido como base para a organização da ação criminosa. No local, teriam definido tarefas, se vestido com roupas escuras e alinhado a execução do assalto, já prevendo a eliminação da vítima para evitar reconhecimento.
Por volta das 20 horas, os quatro teriam retornado à residência do idoso, utilizando como pretexto a devolução de uma mula pertencente à vítima. Após render o morador, os acusados teriam iniciado uma série de agressões com o objetivo de obter a senha do cartão bancário e informações sobre dinheiro guardado na casa.
Violência extrema e morte
Conforme a peça acusatória, o idoso foi amarrado, espancado e submetido a intenso sofrimento físico e psicológico, sofrendo fraturas no rosto. Mesmo após as agressões, os denunciados teriam decidido matar a vítima, golpeando-a na região posterior da cabeça com um pedaço de madeira, o que causou sua morte.
Após o crime, o grupo teria subtraído cerca de R$ 600 em dinheiro, além do revólver, uma televisão, compressor de ar, máquina de cortar grama, motosserra e documentos pessoais. Dois dos acusados ainda tentaram realizar saques com o cartão bancário da vítima, mas as transações foram recusadas por falta de saldo.
Fuga e histórico criminal
Segundo os autos, após o crime os envolvidos se dispersaram. Parte do grupo fugiu em direção a Araranguá no veículo utilizado na ação. Dois dias depois, durante perseguição policial, alguns dos suspeitos teriam abandonado o carro e descartado a arma da vítima.
A denúncia aponta ainda que dois dos acusados possuem condenações anteriores por crimes graves, como homicídio, tráfico de drogas e roubo majorado.
Posicionamento do Ministério Público
O Promotor de Justiça Marcus Vinicius dos Santos, autor da ação, classificou o caso como “um crime de extrema crueldade, praticado contra um idoso indefeso, submetido a intenso sofrimento físico e mental”. Segundo ele, a investigação revelou planejamento detalhado, divisão de tarefas e total desprezo pela vida humana.
O promotor destacou ainda que a morte da vítima “transcende o prejuízo material e atinge profundamente a dignidade humana, sobretudo pela premeditação e pela brutalidade na execução”, afirmando que o Ministério Público buscará a responsabilização de todos os envolvidos e a aplicação da maior pena possível.










