O MDB catarinense continua batendo cabeça em relação às eleições majoritárias deste ano. Após ter sido pego de calças curtas com a decisão do governador Jorginho Mello (PL) de não querer o partido como seu vice, os emedebistas de pronto anunciaram o lançamento de uma candidatura ao governo, para manter a legenda aglutinada diante do pleito de outubro. Passado o choque do despejo da majoritária do governador, o MDB começou a fazer contas, e, neste sentido, se deu conta que uma candidatura ao governo poderá afundar de vez com a legenda. O motivo é bastante simples: o partido não se preparou para uma campanha em que figurasse um candidato a governador. Em princípio, apenas nutria a expectativa de ser vice de Jorginho, elencando o deputado federal Carlos Chiodini para ocupar este espaço. A convicção de Chiodini era tanta no projeto que ele chegou a filiar o ex-vice-prefeito de Joinville, e ex-deputado federal Rodrigo Coelho ao MDB, para disputar a Câmara Federal neste ano em seu lugar. Filiou, aliás, em clima festivo, ressaltando que a sua base eleitoral passaria a trabalhar para Rodrigo. Basicamente, Chiodini só olhou para frente, sem levar em conta qualquer revés em seu projeto, que foi o que acabou acontecendo.
Sem ter como voltar sozinho, nem ir adiante com Jorginho, sobra a ele uma já anunciada candidatura fracassada ao governo, que poderia significar o fim de sua carreira política, a exemplo de Mauro Mariani, que sequer chegou ao segundo turno em 2018 pelo MDB.
A saída honrosa para Carlos Chiodini, e para o MDB, poderá ser a disputa de uma candidatura solitária ao Senado, que mantenha a unidade partidária e não comprometa a legenda com os desdobramentos da eleição ao governo e a presidência. A ideia seria trabalhar prioritariamente as candidaturas legislativas, liberando os filiados e simpatizantes para votar em quem quisessem para os governantes em nível estadual e federal.
A grande preocupação do MDB é justamente manter a unidade partidária através de um referencial. Ao indicar o vice de Jorginho Mello este problema, em tese, estaria resolvido, em que pese o grande número de dissidentes que o projeto teria. A mesma vaga de vice pode ser ocupada na chapa de João Rodrigues, que será candidato ao governo pelo PSD.
No entanto, neste caso, as candidaturas proporcionais do MDB se confundiriam muito com as do PSD, o que poderia ser nocivo para os candidatos emedebistas a deputado. Já em uma aliança com a esquerda, a debandada dos líderes emedebistas acometeria 70% do partido.
Em um cenário como este, por pior que seja a situação, disputar as eleições de 2026 tendo apenas candidato ao Senado, ainda é o cenário menos ruim para o partido, pois se conseguiria contentar os gregos e troianos que fazem parte da base da legenda, e também os seu caciques.
Finais
- Vida do Delegado Geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, não tem sido fácil nos últimos tempos. Além do fogo amigo da deputada federal Júlia Zanatta (PL) e do deputado estadual Jessé Lopes (PL), que têm se esforçado ao extremo para desgastar a imagem de Ulisses dentro do espectro bolsonarista, agora o Ministério Público Estadual promete instaurar procedimento para investigar a conduta do delegado no caso da morte do cão Orelha, em Florianópolis. Supostamente, Ulisses teria cometido abuso de autoridade, violação de sigilo funcional e ato de improbidade administrativa no decorrer das investigações acerca da morte do cão. Neste caso pontual, o delegado alega que não cometeu qualquer ilícito funcional pelo simples fato de não ser responsável pelo caso, e de ter repassado à imprensa apenas aquilo que já era público. Ulisses será candidato a deputado estadual pelo PL neste ano, mas as pedras no caminho de seu projeto não têm sido pequenas.
- MDB de Balneário Gaivota irá realizar encontro municipal no dia 18 de abril, ocasião em que são esperadas as filiações de pelo menos 50 lideranças políticas e comunitárias do município. Neste dia o MDB também deverá receber a filiação dos integrantes do União Brasil local, que não concordaram com a federação nacional realizada pelo partido com o Progressistas, legenda que é a principal adversária da gestão do prefeito Kekinha dos Santos (Rep). O União Brasil apoiou a reeleição de Kekinha, conseguindo, também, eleger o vereador Leonardo Coelho Dornelles, que faz parte da bancada de situação. Com a aliança feita com o Progressistas, a maioria dos integrantes do União irão para o MDB, o que inclui o presidente do partido, João Jaques, o João Surdina, atual Secretário Municipal de Turismo. De acordo com o presidente municipal do MDB, Joaci Silva de Oliveira, a intenção do partido é postular uma vaga majoritária na eleição de 2028.










