O meio político catarinense parece não ter entendido, ainda, o por quê do governador Jorginho Mello (PL) ter fechado as portas de sua majoritária tanto para o MDB, quanto para o Progressistas, na medida em que convidou o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), para ser seu candidato a vice, na vaga que cabia aos emedebistas, como também por conta de ter preferido a deputada federal Carol de Toni (PL) disputando o Senado por sua chapa, ao invés do senador Esperidião Amin (PP).
Em princípio, tudo parecia muito bem encaminhado para Jorginho, já que além do PL, e do Republicanos, ele teria o apoio do MDB e da federação União Progressista ao seu projeto de reeleição. Este grupo de partidos contempla dois terços dos prefeitos e vereadores de Santa Catarina, o que, teoricamente, lhe conferiria uma vantagem extremamente significativa em relação a candidatura de João Rodrigues (PSD) ao Governo do Estado.
Mas se isto estava nas mãos de Jorginho, porquê ele não fechou a aliança com o MDB e com a federação da qual Amin faz parte? Bom, há várias situações que explicam esta decisão. A principal diz respeito a uma articulação desencadeada pelo ex-governador Jorge Bornhausen, que poderia levar o PSD a apoiar Adriano Silva ao governo do Estado, o que dividiria a direita catarinense, e, de fato, colocaria o projeto de reeleição do governador em risco. O pacote contemplava a filiação de Carol de Toni no Novo e alinhamento do seguimento empresarial do Norte do Estado com este projeto oposicionista. A segunda situação disse respeito as “ameaças” que Carlos Bolsonaro vinha fazendo, dando conta que sua dobradinha ao Senado seria com Carol de Toni, independentemente do partido em que ela estivesse filiada. Imagine uma situação em que Carlos e Esperidião Amin estivessem na majoritária de Jorginho, mas com Carlos fazendo campanha com Carol com ela apoiando uma outra candidatura, provavelmente a de João Rodrigues, ou até mesmo a de Adriano Silva, através de uma aliança entre o Novo e o PSD.
Todas estas possíveis situações, por óbvio, ficaram no plano da especulação, até porque nenhuma coligação pode ser feita oficialmente antes de 20 de julho. O mínimo que poderia acontecer, e provavelmente aconteceria, seria a saída de Carol de Toni do PL e sua filiação ao Novo, para buscar seu lugar ao sol diante de 2026. Mas nada impediria, também, que o Novo se aliasse a Jorginho. No entanto, o governador não quis arriscar absolutamente nada, e partiu para um plano de voo timonado integralmente pela direita e extrema direta catarinense, através de uma aliança entre o PL e o Novo.
Finais
- A lógica de Jorginho Mello é bastante simples: se a direita fez 70% dos votos para a escolha do governador catarinense, no segundo turno em 2018, e repetiu este percentual em 2022, a tendência é que em 2026 os números não fiquem muito longe disto. Sua primeira missão, então, é passar para o segundo turno, e, a partir de então, jogar com a retórica bolsonarista para levar a reboque o conservador eleitorado catarinense a votar novamente, e quase cegamente, no 22 para governador. De fato, mesmo com uma chapa quase pura do PL, Jorginho tem mais chances de vencer as eleições deste ano do que seus adversários. Isto porque, em que pesem quaisquer outras circunstâncias, o fato é que ele será o legítimo candidato ao governo catarinense alinhado com a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), e a única que terá o irmão de Flávio como seu candidato ao Senado. No entanto, a vitória poderá não acontecer em duas situações bem distintas, que favoreceriam a oposição no segundo turno.
- A primeira das situações diz respeito ao lançamento de João Rodrigues como candidato ao governo, tendo o apoio integral do MDB e da federação União Progressista, o que, provavelmente, o faria ultrapassar os 35% dos votos válidos no primeiro turno. A manutenção destes votos no segundo turno, somados aos cerca de 18% que a candidatura da esquerda fará no primeiro turno, seriam suficientes para derrotar Jorginho. A outra situação diz respeito ao lançamento de múltiplas candidaturas de oposição no primeiro turno, bancadas pelo PSD, MDB, federação e esquerda, e a convergência de todos para uma única candidatura contra Jorginho no segundo turno. O principal problema da oposição é que nem o MDB, nem a federação, têm unidade. Tanto o MDB, quanto o Progressistas e o União Brasil irão para o pleito deste ano rachados, o que é excelente para Jorginho. Reside justamente aí a convicção do governador que sua vitória é iminente.











