PolíticaRolando Christian CoelhoRolando Christian Coelho | Júlia Zanatta cotada como vice de Flávio Bolsonaro

Rolando Christian Coelho | Júlia Zanatta cotada como vice de Flávio Bolsonaro

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O tabuleiro da sucessão presidencial de 2026 começa a exibir peças que até agora estavam totalmente fora da disputa nacional. Ontem o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), citou o nome da deputada federal Júlia Zanatta, do PL de Criciúma, como uma possível vice na chapa presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL), rompendo a inércia dos bastidores e expondo o desejo fa família Bolsonaro de ter uma majoritária nacional pura, sem a dependencia de outros partidos, que fatalmente trariam desgaste maior a projeto.

Júlia Zanatta, fenômeno eleitoral que irrompeu a casa dos 111 mil votos em sua estreia em uma disputa estadual, em 2022, deixou de ser uma liderança regional catarinense para se tornar uma peça de arquitetura nacional. Sua trajetória tem sido marcada por uma disciplina de ferro: mesmo preterida em composições majoritárias estaduais, e diante da complexa disputa pelo Senado de seu partido, onde chegou a ser eclipsada pela figura de Carlos Bolsonaro (PL), a parlamentar manteve a verticalidade.

Jamais houveram ruídos por parte dela no que diz respeito a debates com a cúpula central do partido, uma conduta que, nos corredores de Brasília, é lida como a prova de lealdade que a família Bolsonaro exige de seus soldados de elite.

Nesse jogo, a ausência de Eduardo Bolsonaro na linha de frente da disputa presidencial, fruto de um autoexílio político forçado por percalços judiciais e pela estratégia de proteção de seu nome, acabou elencando Flávio como alternativa número um para o projeto eleitoral do PL neste ano. Contudo, a candidatura de Flávio, por vezes vista como de perfil mais contido e menos inflamado, encontra em Júlia Zanatta o contraponto necessário. Ela é o elemento de vigor. A deputada carrega o selo de autenticidade ideológica que o bolsonarismo raiz reivindica, sendo capaz de resgatar o apoio de parcelas conservadoras que, recentemente, flertaram com outras correntes da direita, como as de Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), devido aos desgastes enfrentado pelo senado por conta de sua relação incestuosa com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Mais do que uma composição, a escolha de Júlia seria um movimento de inteligência política. Ao alçar uma mulher ao posto de vice, a chapa não apenas suaviza arestas históricas que o movimento bolsonarista enfrenta em relação ao eleitorado feminino, mas também blinda o projeto presidencial com alguém que domina a oratória do confronto e a gramática das redes sociais. Júlia Zanatta é a face da novidade com o verniz da ortodoxia bolsonarista. Se o objetivo do PL é manter o espírito da militância em estado de ebulição, a dobradinha com uma catarinense que não hesita em defender o ex-presidente sob qualquer circunstância é a aposta para transformar a resistência em unidade. A grande questão é saber se a própria Júlia tem condições de se viabilizar, pois, como se sabe, em uma eleição nacional é necessária uma teia gigantesca de apoiadores para se chegar a condição de bancar uma candidatura presidencial, seja como titular ou como vice.

Finais

  • A possível candidatura de Júlia Zanatta à vice de Flávio Bolsonaro é apenas uma centelha em meio a escuridão do jogo político nacional, que deverá começar a ficar mais claro mesmo apenas a partir do mês que vem. Todavia, esta possibilidade existe, principalmente por conta da necessidade que Flávio Bolsonaro passou a ter de ressuscitar o bolsonarismo raiz. Isto não pode ser feito através dele, para não espantar os apoiadores mais conservadores. Mas pode ser feito através de Júlia, que não teria a caneta presidencial se eleita, não oferecendo risco, então, aos interesses da direita moderada. Na prática, Júlia jogaria com a torcida e Flávio jogaria com com os jogadores.
  • Caso Júlia Zanatta embaque em um projeto presidencial, o Sul do Estado deixará mais de 100 mil eleitores de direita órfãos, no que diz respeito a uma candidatura a deputado federal. Isto seria excelente, especialmente para os já deputados Daniel Freitas e Ricardo Guidi, ambos do PL, e Geovânia de Sá, do Republicanos. A saída de Júlia da disputa pela Câmara praticamente garantiria a eleição dos três, que estão ligados diretamente à candidatura à reeleição do governador Jorginho Mello (PL), e também à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Outro nome que praticamente garantiria sua eleição seria o advogado Guilherme Colombo (PL), esposo de Júlia, que irá disputar a Assembleia Legislativa.
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