Não me lembro exatamente do assunto, mas foi engraçado ouvir a expressão ao contrário. Estávamos eu e minha cunhada Otília sentadas na lanai da casa dela, na Flórida, tomando um café da tarde, quando ela disse: “Onde há um caminho, há uma vontade”.
“Espera aí”, eu lhe disse. “Creio que você quis dizer: ‘Onde há uma vontade, há um caminho’ (Where there is a will, there is a way)”. Ou seja: onde há determinação, cria-se a oportunidade.
O que soou engraçado por alguns minutos me trouxe inspiração para algo muito sério.
Ao ouvir a frase invertida, lembrei-me de como muitas pessoas também invertem os fatores na vida real. É a chamada “vontade por conveniência”, que surge apenas quando o caminho já está pavimentado, sinalizado e sem obstáculos. É triste ver a falta de motivação ou de ação em prol de dias melhores por causa dessa espera passiva.
Isso me faz lembrar os desbravadores que colonizaram terras até então desabitadas, como os portugueses no Brasil, os espanhóis na Flórida ou os ingleses aqui em Massachusetts. Eles não tinham caminhos abertos. Enfrentaram obstáculos perigosos sem saber o que encontrariam pela frente. Mas, porque tinham uma meta e um sonho, tomados de coragem, foram em frente. Se não fosse por eles, não teríamos os caminhos que hoje nos permitem transitar e nos conectar com o mundo.

Muitos esperam a motivação para começar uma dieta, um estudo ou um novo plano. Se desmembrarmos a palavra MOTIVAÇÃO, teremos MOTIVO + AÇÃO. O desejo de se mover começa quando você tem o motivo em mente e simplesmente age. A ação, na verdade, muitas vezes vem antes do impulso.
Stephen R. Covey, ao falar sobre o primeiro hábito das pessoas altamente eficazes, diz que a proatividade significa que, como seres humanos, somos responsáveis por nossas próprias vidas. Nosso comportamento é fruto de nossas decisões, não das nossas condições. Ele nos leva a analisar a palavra responsabilidade — “respons-abilidade” — a habilidade de escolher sua própria resposta.
Pessoas com inteligência emocional não culpam o clima ou as circunstâncias. Elas não esperam as coisas acontecerem; elas criam oportunidades e desbravam caminhos.
Quando Otília inverteu a expressão, talvez tenha sido por engano, mas meu raciocínio captou uma mensagem poderosa sobre a Paralisia da Facilidade. Quantas vezes você esperou ter a ferramenta, o dinheiro ou o tempo ideal (o “caminho”) para então ter a vontade de agir? Quantas vezes olhou para portas fechadas e se sentiu incapaz?
Simplificar a vida não é apenas ter o caminho livre; é ter a clareza mental para querer percorrê-lo. Muitas vezes complicamos as coisas esperando o “caminho perfeito” aparecer, quando, na verdade, deveríamos cultivar a vontade primeiro.
Inverter a frase da minha cunhada ensinou-me uma lição vital: quem quer, faz o caminho; quem não quer, inventa uma desculpa sobre a estrada. A vontade é o motor, o caminho é apenas o chão. Não complique esperando o momento ideal. O momento ideal é aquele em que você decide agir. Crie o seu caminho, simplifique a sua jornada e transforme-se hoje.










