Paralelo ao racha dentro do PSD catarinense, que teve como estopim uma declaração do ex-governador Jorge Bornhausen, dando conta que o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, não seria candidato ao governo pelo partido, e que culminou com a saída da legenda do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, vislumbra-se, agora, num horizonte não tão distante, outra fissura partidária, só que dentro do Progressistas.
A semana tem sido tensa para a legenda do deputado estadual sombriense José Milton Scheffer, que, mais uma vez, se vê diante de uma encruzilhada envolvendo o desejo das bases do partido, e o desejo do senador Esperidião Amin. Há quase três anos, por exemplo, os deputados e prefeitos do Progressistas clamam pela realização de uma convenção estadual que eleja um novo diretório e executiva da legenda. Utilizando-se de sua influência junto ao presidente do Progressistas Nacional, Ciro Nogueira, o senador Amin, no entanto, tem obstruído sistematicamente esta possibilidade. Por óbvio, sua intenção é a de se manter como o cacique-mor do Progressistas catarinense, impedindo com que os deputados estaduais e prefeitos deem as cartas do jogo político que envolva a legenda em Santa Catarina.
Já em 2022 o Progressistas convergia para uma aliança partidária com outra legenda, para disputar o Governo do Estado. Amin, no entanto, se atirou em uma candidatura suicida ao comando do Executivo Estadual, que resultou em sua não eleição e na não eleição de nenhum deputado federal pela legenda. De quebra, emplacou apenas três cadeiras na Assembleia Legislativa.
- Agora, em meio a pressão das bases do Progressistas por uma aliança com o governador Jorginho Mello (PL), Amim reassumiu o comando estadual da legenda, por imposição de Ciro Nogueira, e tem defendido que o caminho para o partido não é este. De sua parte, a melhor alternativa para a legenda em 2026 é se aliar ao projeto de João Rodrigues, na expectativa de uma aliança que englobe outros partidos, como o MDB, o PSDB, e, por óbvio, o União Brasil, que já faz parte de uma federação com o Progressistas.
- Deputados e prefeitos no Progressistas não querem isto. O que eles querem é a manutenção do bom relacionamento com Jorginho Mello, que tem rendido milhões de reais em convênios com as prefeituras do partido, atendimento das reivindicações dos parlamentares estaduais, e até mesmo a ocupação de espaços privilegiados no governo, como é o caso de Silvio Dreveck, ex-deputado e ex-presidente do Progressistas, que ocupa a titularidade da Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Serviços.
Amin, por certo, não vai querer definir nada agora. Vai tentar construir o melhor cenário para a oficialização de uma aliança com o PSD de João Rodrigues. Até lá vai manter a retórica de que o jogo ainda está aberto, que é muito cedo para uma decisão, et cetera e tal. Após isto, dará sua sentença.
Finais
- Assessor do deputado estadual Tiago Zilli (MDB), Jonas Souza, que já foi prefeito de Passo de Torres, esteve reunido ontem à noite com a executiva emedebista de Balneário Gaivota, para tratativas ligadas ao evento que será realizado pelo partido, em nível local, no dia 18 de abril. O encontro também serviu para alinhar tratativas relacionadas ao novo diretório e executiva da legenda, que passará a contar com integrantes oriundos do União Brasil, a exemplo do Secretário Municipal de Turismo, João Batista Gonçalves Jaques. Em princípio, a nova executiva terá o empresário Joaci Silva de Oliveira como seu presidente e João Jaques como vice. O grupo deverá estar fechado integralmente com o projeto de reeleição de Tiago Zilli.
- Vereador sombriense Jucimar Custódio, o Bujão (PSDB), vislumbra a possibilidade de disputar o cargo de deputado federal nas eleições deste ano. O convite para este intento foi feito pelo presidente estadual da legenda, o deputado estadual Marcos Vieira. Por outro lado, Bujão também foi convidado pela deputada federal Geovânia de Sá (REP) para disputar a Assembleia Legislativa pelo Republicanos. Neste segundo caso, no entanto, ele teria que mudar de partido, e, por conta disto, correria o risco de perder seu mandato de vereador por infidelidade partidária. Em princípio, Bujão parece mais disposto a concorrer ao cargo de deputado estadual, mas a questão que envolve a possibilidade de perda de seu atual mandato é algo que terá peso relevante em sua decisão final.











