Governador Jorginho Mello (PL) ainda não saciou sua fome por partidos em sua aliança política, com vistas às eleições de outubro. Depois de se reunir com prefeitos e deputados do Progressistas e do MDB, seu alvo agora é o PSDB. Os tucanos, que são uma espécie de morto-vivo na política estadual, tentam se manter em pé em Santa Catarina através da liderança do deputado estadual Marcos Vieira, que, em princípio, buscará viabilizar seu projeto de reeleição. Ele já foi sondado para ocupar a segunda vaga ao Senado Federal, na chapa majoritária do ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), mas, em contato com a imprensa, deixou a bola quicando para que Jorginho Mello a chutasse.
O que Marcos Vieira quer é um campo limpo para viabilizar sua reeleição, o que inclui alguns arranjos políticos e partidários que podem ser viabilizados pelo governador. No mais, é tentar alcançar cem mil votos na legenda do PSDB, com vistas a conquista de uma cadeira na Assembleia Legislativa, e deu. Se os ventos soprarem a favor, quem sabe, uma segunda cadeira.
Um das vantagens do PSDB, e, neste sentido, leia-se Marcos Vieira, é o fato do deputado ter grande parte de seu contingente eleitoral radicado na Grande Florianópolis, terra do senador Esperidião Amin (PP). Para Jorginho Mello, quanto mais líderes políticos oriundos desta mesorregião, melhor, já que a família Amin, que também exerce profunda influência política na Grande Florianópolis, é radicada ali e está aliada ao projeto eleitoral de João Rodrigues. Afora isto, o funcionalismo público também é extremamente expressivo nesta mesma mesorregião, público este formado em boa parte por eleitores da esquerda, que no pleito eleitoral deste ano será representado por outro adversário direto de Jorginho Mello, o ex-deputado estadual Gelson Merisio (PSB).
As estratégias que vêm sendo colocadas em prática pelo governador lembram muito o método utilizado pelo ex-governador Luiz Henrique da Silveira (MDB), que nunca de cansou de buscar alianças e abrir espaços para quem quer que seja, desde que este alguém se aliasse a ele, ou, no mínimo, saísse da oposição. Aliás, isto em política, é mais velho do que andar para frente.
Finais
- De passagem por nossa região ontem, deputada federal Geovânia de Sá, que deixou o PSDB e se filiou ao Republicanos em março, diz que continua mantendo um profundo afeto por seu ex-partido. Conforme ela, várias lideranças tucanas do Estado, e, especialmente do Sul catarinense, trabalharão por seu projeto de reeleição. Neste contexto, a parlamentar diz que fará dobradinha com o vereador sombriense Jucimar Custódio, o Bujão, que disputará a Assembleia Legislativa pelo PSDB neste ano. Conforme ela, sua migração para o Republicanos objetivou principalmente viabilizar um cenário que lhe propiciasse chances de eleição, o que não era vislumbrado dentro do PSDB. Não fosse isto, ressalta, provavelmente não teria deixado seu partido. Sobre o fato de enfrentar sua primeira campanha eleitoral contra os interesses políticos do ex-prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro (PSD), Geovânia ressalta que situações como esta acabam fazendo parte do jogo eleitoral, mas enfatiza que o respeito entre ambos permanece o mesmo.
- Presidente estadual do MDB, o deputado federal Carlos Chiodini, já admite aos mais próximos disputar as eleições deste ano como candidato a vice-governador de João Rodrigues (PSD). Cada vez mais isolado, e acuado em seu partido, Chiodini vê em uma candidatura executiva sua a possibilidade de tentar reunir a maioria dos líderes do partido em torno de um só projeto majoritário. Atualmente, contabilizando todos aqueles que possuem mandato pelo MDB, há uma nítida divisão entre os que querem apoiar João Rodrigues e os que querem apoiar o projeto de reeleição do governador Jorginho Mello (PL). Muito provavelmente, o fato de Chiodini concorrer como vice de João Rodrigues não irá reaglutinar o MDB, por um simples motivo: a chance de Jorginho Mello vencer a disputa pelo Governo do Estado, neste ano, é incomensuravelmente maior que a chance de João Rodrigues. Sendo assim, trazer os desgarrados de volta é um trabalho inglório, já que estes não vão querer trocar o quase certo pelo muito duvido.










