Prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), já tem arquitetada sua majoritária, para enfrentar o projeto de reeleição do governador Jorginho Mello (PL). Em princípio, seu candidato a vice será o deputado estadual Antídio Lunelli (MDB). Já seus dois candidatos ao Senado, seriam o senador Esperidião Amin, que também passou a presidir o Progressistas, e o deputado federal Carlos Chiodini, que também é o presidente estadual do MDB.
Na prática, João Rodrigues está se apegando àquilo que sobrou da majoritária de Jorginho Mello. Se o governador tivesse mantido o compromisso inicial, destinando a vaga de vice ao MDB, e tivesse conseguido tirar a deputada federal Carol de Toni do circuito, endereçando sua vaga ao Senado para Esperidião Amin, provavelmente o prefeito de Chapecó nem disputaria o governo. No entanto, por conta das circunstâncias, o projeto de João Rodrigues voltou a ter uma fagulha de esperança, principalmente por conta da expectativa de uma aliança com os partidos de esquerda na segunda etapa da eleição, caso haja a sua necessidade.
Em que pese a teoria soar favorável para João Rodrigues, a realidade tem se mostrado madrasta ao seu projeto. Depois do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, quem também pediu desfiliação do PSD foi o Secretário de Estado da Articulação Internacional, Paulinho Bornhausen, filho do ex-governador Jorge Bornhausen, que, por sua vez, passou a ser um desafeto público de João Rodrigues. Ainda que fora do PSD, Paulinho, assim como seu pai, mantém uma forte influência sobre as bases do partido no Vale do Itajaí e no Norte do Estado, regiões que concentram mais de um terço dos eleitores catarinenses, e metade do PIB estadual. Paralelo a este fato, quem também anunciou sua desfiliação do PSD foi o deputado federal Ismael dos Santos, que poderá migrar para o PL do governador. Ainda no rol dos possíveis futuros opositores, quem também se aliou ao governador foi o deputado estadual Marcos Rosa, que deixou o União Brasil para se filiar ao PL.
Mas a lista dos que estariam oficialmente coligados com João Rodrigues, mas trabalhando por Jorginho Mello, não é pequena, e inclui nomes como o deputado federal Valdir Cobalchini (MDB), o deputado estadual Pepê Colaço (PP), e o ex-deputado estadual e ex-presidente do Progressistas catarinense, Silvio Dreveck. Cotado para ser candidato à Assembleia Legislativa, Dreveck não assumirá tal candidatura se a federação União Progressistas se aliar a João Rodrigues.
Mas o cenário mais atormentador para João Rodrigues está nas bases do Progressistas, União Brasil e MDB. É que a absoluta maioria dos prefeitos e vereadores destes partidos irão trabalhar pela reeleição do governador Jorginho Mello, que é quem os está abastecendo. Especialmente aqueles prefeitos e vereadores da região litorânea do Estado, que administram município, que, em seu conjunto, somam 70% do eleitoral estadual.
Finais
- Mas nem tudo são pedras no caminho de João Rodrigues. O ex-prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (UB), que disputou o Governo do Estado em 2022, entrou de corpo e alma no projeto do prefeito de Chapecó, e, neste sentido, está de mãos dadas com Esperidião Amin, seu ex-desafeto político. Isto deverá fazer com que, pontualmente na Capital catarinense, Jorginho Mello tenha dificuldades em vencer a eleição, em que pese o apoio do prefeito Topázio Neto. Todavia, Amin e Gean Loureiro, juntos, têm muito mais peso político do que Topázio. Outro fato que deve ajudar a neutralizar a influência da família Bornhausen na campanha de Jorginho, assim como a presença do prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), em sua majoritária, será a possível presença de Carlos Chiodini e Antídio Lunelli na majoritária de João Rodrigues, já que ambos são de Jaraguá do Sul.
- Ex-governador Carlos Moisés da Silva está querendo voltar a ribalta. Depois de ser desalojado da presidência do Republicanos, partido que foi entregue ao grupo político do governador Jorginho Mello, o ex-mandatário do Estado tem sido cotado para disputar à Câmara Federal pelo Progressistas de Tubarão. Se isto se concretizar, poderá se tornar uma pedra no sapato do deputado estadual José Milton Scheffer, que também pretende disputar à Câmara Federal neste ano. Muito provavelmente, Carlos Moisés não faça nem a metade dos votos de Zé Milton, mas poderá diminuir a votação nominal do deputado, pondo em risco sua eleição, caso a federação União Progressista eleja apenas um deputado federal. Nesta configuração, o atual deputado federal Fábio Schiochet, que é o presidente estadual do União Brasil, seria o único eleito pela federação.











