Em mais um tradicional canetaço, tão comum na política brasileira, a cúpula nacional do PSD convergiu para o nome do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como seu candidato à Presidência da República neste ano. Filiado há apenas 15 dias na legenda, depois de deixar o União Brasil, Caiado volta a ser candidato ao Palácio do Planalto depois de 37 anos de sua primeira disputa com este intento, em 1989, então filiado ao Partido Liberal, que hoje está sob a tutela da família Bolsonaro.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que havia deixado o PSDB, e se filiado ao PSD com o mesmo propósito, foi atropelado no processo de escolha. Não houve qualquer tipo de consulta às bases do partido para que se chegasse a um denominador comum em relação ao nome de Caiado, o que deixou o governador gaúcho frustrado. Ele chegou a ressaltar que o PSD estava cometendo um grande erro ao dar vazão a uma candidatura, considerada por ele, radical, o que faria apenas criar um clima de ainda mais desunião no país.
O propósito de Eduardo Leite diante do pleito nacional deste ano era o de se colocar como um candidato à Presidência da República acima do bem e do mal, longe da dualidade protagonizada pela direita e a esquerda ao longo dos últimos anos, e especialmente nos pleitos de 2018 e 2022. A exemplo de 2022, no entanto, quando tentou ser candidato pelo PSDB, o governador do Rio Grande do Sul foi atropelado pelas velhas raposas da política brasileira.
A candidatura do PSD à Presidência será uma pedra do sapado do candidato ao governo de Santa Catarina, João Rodrigues (PSD), que precisará dar palanque político para Ronaldo Caiado no Estado mais bolsonarista do país. Enquanto ele faz isto, seu principal adversário, o governador Jorginho Mello (PL), dará palanque a Flávio Bolsonaro (PL).
Finais
- Seguindo os passos da deputada federal Geovânia de Sá, o vice-prefeito de Turvo, Larte Casagrande, deixou o PSDB e se filiou ao Republicanos. Este mesmo movimento já havia sido feito pelos prefeitos de Balneário Gaivota, Kekinha dos Santos, e de Santa Rosa do Sul, Almides da Rosa, antes mesmo de Geovânia mudar de partido, por restrições legais.
- Quem também pode deixar o PSDB e se filiar ao Republicanos é o vereador sombrienese Jucimar Custódio, o Bujão, objetivando disputar à Assembleia Legislativa. No seu caso, no entanto, há o risco de perda de seu atual mandato por infidelidade partidária. Ele está avaliando os prós e contras desta situação, para a tomada de uma decisão, que precisará se dar até o próximo sábado.
- Senadora do Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina (PP), que é cotada para ser candidata a vice de Flávio Bolsonaro, diz que, independentemente do partido que será o companheiro de chapa do senador carioca, na disputa pelo Palácio do Planalto, seu apreço por ele será o mesmo. Ela vai mais longe, e ressalta que o Progressistas deveria apoiar Flávio, mesmo que não indique seu vice. Se isto acontecer, o senador Esperidião Amin (PP) estará em maus lençóis, já que seu partido estaria aliado ao PL em nível federal, e em Santa Catarina estaria aliado ao PSD, de Ronaldo Caiado. Este cenário colocaria o Progressistas catarinense trabalhando para Flávio Bolsonaro, o que fatalmente iria puxar votos para Jorginho Mello. Amim, no entanto, estaria com João Rodrigues.










