PolíticaRolando Christian Coelho | Jorginho ganhou chance de mudar o vice

Rolando Christian Coelho | Jorginho ganhou chance de mudar o vice

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Governador Jorginho Mello (PL) ganhou uma grande chance para mudar o seu candidato a vice nas eleições deste ano, tudo por conta das duras críticas que o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, tem feito ao presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) nos últimos três dias. Zema também é pré-candidato a presidente da República, só que pelo partido Novo, mesma legenda de filiação do ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva, que é pré-candidato a vice-governador de Jorginho Mello.

O fato é que Romeu Zema tem dedicado seus últimos dias a criticar duramente a ligação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Como foi amplamente difundido pela imprensa nacional, Vorcaro vinha ajudando a bancar a produção de um filme que pretende contar a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Até aí, tudo bem, não fosse o fato de Vorcaro ter se tornado uma espécie de inimigo número um da pátria, depois de ter dado um golpe de R$ 52 bilhões no mercado financeiro. Boa parte deste dinheiro, todo mundo já sabe no bolso de quem foi parar, o que inclui a família Bolsonaro, no que diz respeito a produção do aludido filme.

De olho nos votos da direita radical, Romeu Zema partiu para cima de Flávio Bolsonaro, em nome da família, da propriedade e da tradição. Chegou até mesmo a esquecer que ele era um dos cotados para ser candidato a vice de Flávio.

O mal estar causado por Zema, obviamente, atinge a relação do PL com o Novo em todo o país, mas, mais especialmente em Santa Catarina, onde as duas legendas têm alinhavado um acordo para disputar a majoritária executiva juntas, na órbita do projeto de reeleição de Jorginho Mello.

Jorginho, por sua vez, convidou o Adriano Silva para ser seu vice porque o ex-governador Jorge Bornhausen vinha assediando o então prefeito de Joinville para que ele fosse candidato ao Governo do Estado, através de uma grande aliança envolvendo também o PSD e o Progressistas. Diante do perigo iminente, Jorginho substituiu do dia para noite seu vice, desalojando o MDB da vaga e a oferecendo a Adriano Silva. O MDB, por sua vez, acabou indo para o lado de João Rodrigues, que se manteve como pré-candidato ao governo pelo PSD. Todavia, boa parte do partido já voltou a trocar afagos com Jorginho.

O efeito Zema, no entanto, pode fazer com que o governador reveja seu plano de voo. Depois das duras críticas a Flávio, pelo menos moralmente ele não tem mais nenhum compromisso com o Novo. A questão agora passou a ser matemática. Os números é que vão dizer se Adriano Silva deve continuar como seu candidato a vice, ou se a vaga pode ser destinada a outro partido, como o próprio MDB ou o Progressistas.

Finais

  • E no embalo da fala de Romeu Zema, a deputada federal criciumense Júlia Zanatta (PL) teceu duras críticas ao Novo e ao presidenciável mineiro. A parlamentar, que é conhecida por não levar desaforo para casa, defendeu até mesmo a ruptura das alianças que o PL mantém com o Novo em vários Estados, o que incluiria Santa Catarina. Em um contexto como este, a vaga de vice de Jorginho poderia ser reendereçada, também, ao próprio PL, o que acabaria incluindo Júlia no rol dos possíveis pretendentes. Ela, aliás, já foi cogitada como candidata a vice de Jorginho, como também como candidata ao Senado, tanto pela majoritária do governador, como pela de João Rodrigues. Se o Novo for jogado para escanteio, a bola fica quicando para que a parlamentar entre em campo propondo um novo jogo.
  • E o caso envolvendo a divulgação de áudios que ligam o senador Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro terá seu reflexo eleitoral divulgado hoje, através de uma pesquisa do Instituto Data Folha. O histórico das últimas pesquisas de segundo turno, que vêm sendo divulgadas desde o início do ano por diversos institutos, têm colocado, de forma constante, o presidente Lula da Silva (PT) e o senador em condição de empate técnico, na das dos 42%. Em princípio, será natural que Flávio Bolsonaro tenha uma queda no seu desempenho, mas a questão é saber qual o percentual dela. Em Ciência Política, qualquer queda superior a 10% do percentual consolidado é perigosa. Na prática, se Flávio tiver perdido até 4,2% dos seus 42%, ele consegue recuperá-los. Se a queda tiver sido maior que isto, o sinal de alerta de sua pré-campanha terá sido ligado.
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