Durante sua passagem por Santa Catarina, no final de semana, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) deixou bastante claro: seu candidato ao Governo do Estado é o atual governador Jorginho Mello (PL), e ponto final. Chegou a sentenciar que em Santa Catarina o único candidato ao governo da direita é Jorginho, como se tal ideologia tivesse dono.
Retóricas à parte, o fato é que a fala de Flávio Bolsonaro já deixou claro que ele não pretende ter dois palanques eleitorais no Estado, situação esta que vinha sendo almejada pelo pré-candidato a governador João Rodrigues (PSD). Amigo de longa data do ex-presidente Jair Bolsonaro, João Rodrigues almejava reciproca a sua devoção ao bolsonarismo ao longo de tantos anos, algo que, pelo que disse Flávio, não irá acontecer.
O fato é que João Rodrigues é amigo de Jair Bolsonaro, não de Flávio Bolsonaro, sendo assim, o senador não tem qualquer sentimento de responsabilidade em relação a sua candidatura. Por outro lado, Jorginho tem como candidatos ao Senado o ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL), que é irmão de Flávio, e a deputada federal Carol de Toni (PL), que chegou a renunciar ao cargo de líder da minoria na Câmara dos Deputados para beneficiar seu outro irmão, Eduardo Bolsonaro (PL), que está autoexilado nos Estados Unidos, e que necessitava de um subterfúgio para justificar continuar recebendo seu salário mesmo não estando no parlamento. Ao ser indicado líder da minoria, por conta da renúncia de Carol, Eduardo Bolsonaro assegurou o rancho no final do mês.
Afora isto, o próprio Jorginho Mello se manteve como um dos mais entusiastas do bolsonarismo no Senado Federal, quando Jair Bolsonaro era presidente, tendo, até mesmo, assumido a liderança do governo naquela Casa.
Todavia, o fato que mais depõe contra João Rodrigues é a candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), ao Palácio do Planalto. Tal candidatura ajudou a fracionar a direita nacional, acabando com qualquer esperança de Flávio vencer a eleição ainda no primeiro turno. Há de se ressaltar, também, que a candidatura de Caiado é vista com extrema desconfiança pela direita nacional, já que seu partido é um dos principais alicerces do governo Lula da Silva (PT), no Congresso Nacional. A grande verdade é que o PL não está contando nenhum pouco com os esforços do PSD em um provável segundo turno entre Flávio e o presidente Lula da Silva (PT). Por cota do histórico afetivo entre o PSD e o PT nacional, o PL está orientado a se afastar, o máximo que puder, dos líderes pessedistas.