Ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), renunciou ao seu cargo ontem à noite, para disputar o Governo do Estado. O evento contou com a presença de líderes políticos de seu partido, como também do MDB, do Progressistas e do União Brasil. Todavia, foram notadas mais ausências do que presenças no ato de renúncia, especialmente de líderes do Progressistas e do MDB. Os deputados estaduais José Milton Scheffer e Pepê Colaço, por exemplo, que são filiados ao Progressistas do Sul do Estado, não participaram da solenidade. Lideranças do MDB, como o deputado federal Valdir Cobalchini, e o estadual Jerry Comper, também não participaram. Todos eles já declararam apoio ao projeto de reeleição do governador Jorginho Mello (PL), em que pese o fato de tanto o MDB quanto o Progressistas já terem anunciado, através de seus presidentes, apoio a João Rodrigues.
Mas se os problemas são graves na pretensa coligação que está sendo costurada por João Rodrigues, eles são maiores ainda dentro de seu próprio partido. O PSD, por exemplo, não tem montada ainda sua nominata de candidatos a deputado federal. Em princípio, os únicos dois nomes de expressão da legenda dispostos a disputar a Câmara Federal são o presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia, e o ex-governador Raimundo Colombo.
É provável que nenhum dos dois acabe levando tal projeto adiante se o partido não conseguir reunir condições mínimas para assegurar uma legenda robusta que garanta suas respectivas eleições. Colombo ainda não assumiu sua condição de pré-candidato, e Júlio não descarada a possibilidade de tentar novamente a Assembleia Legislativa, ao invés da Câmara Federal, caso sinta que o terreno não será fértil em um projeto vocacionado ao Congresso Nacional.
O fato é que tudo parece estar dando errado para João Rodrigues, a começar pelo esfacelamento dos partidos que o orbitam. A impressão que se tem é que, dos egressos das quatro legendas, há mais líderes apoiando Jorginho Mello do que apoiando o candidato ao governo do grupo. Afora isto, a desistência de Ratinho Júnior (PSD), de disputar à Presidência da República, também constituiu um grande prejuízo político para João Rodrigues. Por fim, mas recentemente, o comando do Progressistas sinalizou apoio ao projeto presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL), o que criaria ruídos extremos na candidatura de João Rodrigues, que, por enquanto, está sendo apoiado pelo senador Esperidião Amim (PP). A grande questão é saber se Amim, de fato, permanecerá aliado a João Rodrigues caso o Progressistas oficialize seu apoio a Flávio Bolsonaro, ou se o senador irá preferir lançar uma candidatura independente ao Senado, que é o que provavelmente aconteceria.
Finais
- Quem também renunciou ao seu mandato ontem foi o prefeito de Balneário Arroio do Silva, Evandro Scaini (PP), que irá disputar à Assembleia Legislativa em dobradinha com o deputado estadual José Milton Scheffer (PP), que, por sua vez, concorrerá a federal. A candidatura de Evandro nasce de um consenso de seu partido, em nível regional, depois que foram ouvidas as principais lideranças da legenda em cada um dos municípios da Amesc. Além dele, figuras como o ex-prefeito de Meleiro, Nei Zanette, e o presidente da Cooperja, Vanir Zanatta, eram contatos para a empreitada. Ambos, no entanto, declinaram de tal pretensão, viabilizando o projeto de Scaini, que já foi candidato ao parlamento catarinense em 2018.
- Ex-governador Carlos Moisés da Silva anunciou filiação ao União Brasil, para disputar à Câmara Federal. Inicialmente cotado para integrar o cast do Progressistas, com o mesmo propósito, ele acabou optando por um partido que não deverá ter outro candidato a federal no Sul do Estado. Trata-se de um projeto extremamente difícil de ser viabilizado, especialmente pela falta de capilaridade do União Brasil no Sul catarinense. A melhor opção para Carlos Moisés teria sido uma filiação ao MDB, legenda com a qual ele tem ligação histórica, e que também possui uma base bem estruturada em nossa mesorregião. Entender de política, no entanto, nunca foi o forte do ex-governador, que ficará muito longe de conseguir se eleger ao cargo de deputado federal neste ano.










