PolíticaRolando Christian Coelho | Derrota de Messias relembra crise de Dilma

Rolando Christian Coelho | Derrota de Messias relembra crise de Dilma

spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

O assunto político do final de semana, sem dúvida alguma, foi a rejeição do nome do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, por parte do Senado Federal, para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. Obviamente que Messias não tem nada a ver com isto. Qualquer nome que estivesse em seu lugar teria o mesmo destino. O que ficou claramente demonstrado no episódio é que o presidente Lula da Silva (PT) já não conta mais com o apoio da maioria dos senadores, que, por suas vezes, estão entre os principais líderes políticos de seus Estados, ou ligados a partidos com ampla influência estadual.

Lula já sentiu que não poderá mais contar com o Senado, e sua prova de fogo, agora, está no Projeto de Lei de autoria do Palácio do Planalto que vai tentar reduzir a escala de trabalho no país de 6 por 1, para 5 por 1, com os trabalhadores tendo folga dois dias por semana. Trata-se, por óbvio, de um projeto totalmente vocacionado a vender a imagem de Lula como o pai dos trabalhadores, de modo a ampliar sua base de votação, especialmente junto as classes D e E.

Por óbvio que a grande maioria dos deputados federais não têm interesse em parecer antipático ao projeto, especialmente em um ano de eleição. Todavia, a rejeição do mesmo significaria que Lula teria perdido em definitivo o apoio das duas Casas do Congresso Nacional, com os partidos do Centrão, em especial, simplesmente o abandonando.

Se isto acontecer, Lula enfrentará uma crise política tão grande quanto a que enfrentou a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, ocasião em que não conseguiu mais aprovar nem nome de rua no Congresso. A falta de uma base parlamentar mínima foi o que levou ao seu processo de impeachiment. Tudo aquilo, obviamente, sob os reflexos da Operação Lava Jato.

Lula não corre nenhum risco neste sentido, mas corre o real risco de ter que enfrentar as eleições deste ano sem maioria no Congresso, o que significaria dizer que ele teria extrema dificuldade em compor alianças políticas nos Estados, para dar sustentação ao seu projeto de reeleição. Politicamente, se pode afirmar que as chances de Lula ser reeleito estão justamente na aprovação da escala de trabalho 5 por 1. Não pela escala, em si, mas porque a aprovação do projeto dirá se Lula ainda consegue ter fôlego eleitoral. A rejeição, por sua vez, significará que ele terá que se virar por conta própria em um embate direto com Flávio Bolsonaro (PL), que, nesta altura do campeonato, já teria, então, cooptado as ratazanas de Lula para o seu ninho.

Finais

  • A Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados aprovou Projeto de Lei que estabelece um mecanismo de proteção para a cadeia produtiva do arroz no Brasil. A proposta, de autoria da deputada federal Geovânia de Sá (REP), autoriza a suspensão temporária da importação do cereal sempre que o preço de mercado estiver abaixo do custo de produção. Para garantir a segurança alimentar, a medida exige que o estoque nacional seja suficiente para o abastecimento interno antes de qualquer trava comercial ser aplicada. O projeto surge como uma resposta urgente à crise enfrentada pelos rizicultores, especialmente na região Sul do país, onde o aumento dos insumos tornou a atividade financeiramente inviável. A matéria segue agora para a análise da Comissão de Agricultura e, em sendo aprovado, será enviado para votação. Por falar em Geovânia de Sá, ela estará hoje em nossa região, realizando roteiro político.
  • Deputado federal Valdir Cobalchini (MDB) disse que não vê problemas em o partido manter diálogo com o governador Jorginho Mello (PL), com vistas às eleições deste ano. De acordo com ele, sua legenda ainda não realizou nenhuma convenção para definir qual caminho tomar no Estado diante do pleito de outubro, e que, por conta disto, todos os encaminhamentos ainda não possíveis, o que incluiria uma aliança com o governador. Na opinião de Cobalchini, que é um dos líderes da nova geração de emedebistas a mais tempo na ativa, o único projeto que de fato poderia unir o partido seria o de uma candidatura própria ao Governo do Estado. Afora isto, conforme ele, de forma natural haverá divisão interna. Neste momento, Cobalchini lidera o grupo de emedebistas favoráveis a apoiar Jorginho, enquanto o presidente estadual da legenda, o também deputado federal Carlos Chiodini, lidera o grupo favorável a apoiar João Rodrigues (PSD).
spot_img
spot_img
spot_img

Matérias Relacionadas

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui