O mês de junho marca a campanha Junho Roxo, voltada à conscientização sobre o Lipedema, condição crônica e progressiva que afeta principalmente mulheres e ainda é cercada por desinformação, diagnósticos tardios e tratamentos inadequados.
Segundo estimativa do Consenso Brasileiro de Lipedema de 2025, a doença pode atingir cerca de 12,3% da população feminina adulta brasileira. Já o Instituto Brasileiro de Lipedema estima que ao menos 5 milhões de brasileiras apresentem sintomas da condição, muitas delas sem diagnóstico.
Caracterizado pelo acúmulo anormal e doloroso de gordura, principalmente nas pernas, mas também podendo atingir braços, tornozelos e pés, o Lipedema costuma ser confundido com obesidade, retenção de líquido ou linfedema. Entre os sintomas estão dores, sensação de peso nos membros, hematomas frequentes e dificuldade de emagrecimento nas áreas afetadas.
A biomédica, esteticista e terapeuta linfática especialista em Lipedema, Cláudia Farias, alerta que o aumento da visibilidade da doença também fez crescer a oferta de tratamentos divulgados como “milagrosos”, especialmente nas redes sociais.
Segundo a especialista, muitas pacientes chegam emocionalmente fragilizadas devido às alterações corporais provocadas pela doença e acabam se tornando vulneráveis a promessas de resultados rápidos.
“O tratamento conservador busca desinflamar a região afetada pelo Lipedema, diminuir as dores sentidas pela paciente e trazer mais conforto no dia a dia. Já os procedimentos divulgados como milagrosos acabam piorando a inflamação por serem agressivos e inadequados”, explica.
De acordo com o Consenso Brasileiro de Lipedema, o tratamento conservador deve ser a primeira opção em todos os casos. Ele inclui alimentação anti-inflamatória, exercícios físicos de baixo impacto, fisioterapia descongestiva, terapia compressiva e acompanhamento médico multidisciplinar.
Já os tratamentos invasivos, como procedimentos cirúrgicos, devem ser avaliados individualmente e realizados apenas com acompanhamento especializado.
Cláudia também faz um alerta sobre a comercialização da doença e a exploração da insegurança estética das pacientes.
“As mulheres historicamente sofrem pressão estética e o Lipedema intensifica esse sentimento de insatisfação com o próprio corpo. Muitas acabam sendo levadas a tratamentos enganosos e ineficazes”, afirma.
Embora não tenha cura definitiva, o Lipedema pode ter sua progressão controlada com acompanhamento adequado, melhorando significativamente a qualidade de vida das pacientes.










