O pleito eleitoral deste ano, em Santa Catarina, está a cada dia mais confuso. Ontem, os deputados estaduais Jerry Comper e Fernando Krelling, ambos do MDB, que são aliados incondicionais do governador Jorginho Mello (PL), declararam apoio à candidatura ao Senado do também deputado estadual emedebista Antídio Lunelli, que, por sua vez, está apoiando o ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), em sua pré-campanha ao governo catarinense.
Nenhum dos dois, no entanto, irá votar no senador Esperidião Amin (PP), que fará dobradinha com Antídio. Na via inversa, a base do Progressistas não deverá votar em Antídio, que, como ressaltado, é filiado ao MDB, partido que rivaliza com a legenda do senador há mais de meio século em Santa Catarina.
A maioria dos simpatizantes do Progressistas deverá votar no projeto de reeleição de Amin e na deputada federal Carol de Toni, filiada ao PL do governador Jorginho, que, por sua vez, tem como principal adversário João Rodrigues.
Em princípio, no que diz respeito à dualidade entre Jorginho Mello e João Rodrigues, o que se observa é que os únicos partidos que se mantêm unidos em torno de um projeto original são o PL, o Republicanos e o União Brasil, com os dois primeiros hipotecando apoio ao governador e o último ao ex-prefeito chapecoense.
Nem mesmo o PSD de João Rodrigues está totalmente fechado com ele e, neste sentido, observam-se as restrições públicas já ofertadas contra ele pelo ex-governador Jorge Bornhausen.
Vale ressaltar que, em que pese o fato do secretário de Estado Paulinho Bornhausen e do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, terem deixado recentemente o PSD, ambos ainda exercem profunda influência na legenda e também estão contra João Rodrigues.
Já no Progressistas e no MDB, o racha é escancarado. O encaminhamento oficial dos dois partidos é por uma aliança com João Rodrigues. Todavia, há um caminhão de lideranças das duas legendas, grande parte delas com mandatos municipais, estadual e federal, que está apoiando Jorginho Mello.
Isto é observado, também, entre os apoiadores do governador. Oficialmente, por exemplo, o PSDB está com ele, mas grande parte do partido está com João Rodrigues, sob influência do deputado estadual Vicente Caropreso, que deixou o ninho tucano em março passado e se abrigou no União Brasil, que apoia o candidato do PSD.
Entre vindas e vindas, o que se observará aos montes no pleito eleitoral deste ano serão partidos deste lado e partidários do outro.
Finais
- O pedido de CPI para investigar a morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, foi rejeitado ontem pela Assembleia Legislativa. O deputado estadual Mário Motta (PSD) já havia conseguido reunir as 14 assinaturas necessárias para a instalação da CPI, mas, na última hora, o deputado Rodrigo Minotto (PDT) retirou seu apoio à iniciativa. A CPI é um calo no pé do governo de Jorginho Mello, pois fatalmente iria arrolar figuras da política catarinense, como o delegado Ulisses Gabriel, que é pré-candidato a deputado estadual pelo PL de Orleans. Vê-se, neste sentido, uma fina sintonia de Minotto com o governador, em que pese o fato de ambos estarem em lados opostos no pleito eleitoral deste ano, tanto em nível estadual quanto federal.
- Pré-candidato ao governo pelo PSD, João Rodrigues tem agido de forma bastante madura em relação às pesquisas eleitorais que vêm sendo divulgadas, ainda que nenhuma o tenha beneficiado. Ao invés de criticar diretamente os números, o ex-prefeito de Chapecó tem preferido apenas dizer que eles refletem meramente o momento político e que o momento de agora não será o mesmo daqui a 30, 60 ou 90 dias. Conforme João Rodrigues, tão logo cessem os repasses do Governo do Estado para as prefeituras — a partir do final deste mês — haverá uma reconfiguração nos apoios a serem manifestados pelos prefeitos, que, neste momento, estão majoritariamente alinhados com o governador. “Depois a história será outra”, diz João Rodrigues.












