O Consórcio Público Interfederativo de Saúde da Amrec e Amesc (CIS-AMREC) participou, nesta terça-feira (23), de uma audiência pública promovida pela Comissão de Finanças e Tributação da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) para discutir o financiamento dos consórcios públicos de saúde no Estado.
Durante o encontro, a Associação dos Consórcios de Saúde de Santa Catarina (ACISSC), que reúne 14 consórcios, defendeu a ampliação do repasse anual do Governo do Estado, dos atuais R$ 30 milhões para R$ 50 milhões. A reivindicação leva em conta o crescimento da demanda regional, o aumento no volume de atendimentos e a necessidade de garantir mais agilidade no acesso da população a consultas, exames e procedimentos especializados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A audiência também debateu a necessidade de reduzir a burocracia no repasse dos recursos, medida considerada fundamental para acelerar a aplicação dos valores nos serviços de saúde.
Para a presidente do CIS-AMREC e prefeita de Urussanga, Stela Talamini, o financiamento precisa acompanhar a realidade enfrentada pelos municípios. “A ampliação do financiamento estadual aos consórcios representa um investimento direto na população catarinense, especialmente em quem depende exclusivamente do SUS”, afirmou.
Um levantamento apresentado pelo CIS-AMREC mostrou que, em março de 2026, cerca de 80,93% da população dos 27 municípios consorciados da Amrec e Amesc dependia exclusivamente do SUS. Em alguns municípios, esse índice ultrapassa 96%.
Os números também evidenciam o crescimento dos investimentos. Em 2025, os 14 consórcios de saúde de Santa Catarina aplicaram aproximadamente R$ 317,7 milhões em consultas, exames e procedimentos especializados. Em 2017, esse valor era de R$ 46,2 milhões, representando crescimento superior a 587%.
No caso do CIS-AMREC, o avanço foi ainda mais expressivo: os investimentos saltaram de R$ 2,89 milhões em 2017 para mais de R$ 59,3 milhões em 2025, um aumento superior a 1.950%.
O diretor-executivo do CIS-AMREC, Roque Salvan, destacou a importância dos consórcios na organização da saúde pública regional. “Os consórcios permitem que os municípios comprem melhor, organizem a rede de prestadores e ofereçam mais agilidade ao cidadão que depende do SUS”, ressaltou.
A audiência também discutiu o Programa de Qualificação dos Consórcios Públicos Interfederativos de Saúde (QUALICIS), criado pela Lei Estadual nº 18.861/2024. Embora considerado um avanço, o CIS-AMREC avalia que o crescimento das demandas exige a ampliação dos investimentos estaduais.











