A fotografia eleitoral de Santa Catarina, revelada pelo Instituto de Pesquisa Catarinense (IPC), não traz surpresas no que tange ao DNA ideológico do Estado: o conservadorismo bolsonarista permanece hegemônico, ditando o ritmo da sucessão tanto estadual quanto federal. Contudo, quando olhamos além da superfície dos números, observamos um cenário de “favoritismo com ressalvas”, onde a vantagem confortável não garante, por si só, uma vitória sem percalços.
No plano presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) demonstra que o alinhamento com a base de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Santa Catarina, é sólido, operando quase um “2 por 1” contra o presidente Lula da Silva (PT). A polarização é extrema e, como indicaram os dados do IPC, não deixa oxigênio para uma terceira via. O ponto crítico aqui não é a liderança de Flávio, mas a rejeição de Lula, na casa dos 48,3%. Quando quase metade dos eleitores catarinenses dizem não querer mais um mandato de Lula, isto, obviamente, cria uma redoma sobre sua candidatura deixando ampla margem para o crescimento de Flávio Bolsonaro, que apresenta apenas metade deste índice.
Já na disputa pelo Palácio da Agronômica, Jorginho Mello (PL) também navega em águas favoráveis, mas com nuvens no horizonte, ao contrário de Flávio Bolsonaro. Os 53,3% na pesquisa estimulada, pró-governador, são um trunfo inegável, porém, a política é a arte do imponderável. A leitura analítica dos números aponta para um paradoxo: Jorginho é o favorito absoluto, mas sua estratégia de longo prazo é vulnerável. A verdade é que o risco de um segundo turno, e um enfrentamento contra João Rodrigues (PSD), é o pesadelo real para o governador. Enquanto Gelson Merísio (PSB) está isolado no campo da esquerda, o nome de João Rodrigues traz consigo uma baixa rejeição, de apenas 6,6%, e a capacidade de aglutinar o centro e a esquerda catarinense contra Jorginho Mello em uma segunda etapa da eleição.
Esfriar a campanha, evitando embates antes do período eleitoral propriamente dito, seria uma excelente alternativa para o governador, já que, daqui para frente, ele só tem a cair e João Rodrigues só tem a subir. No entanto, em ano eleitoral, o silêncio é uma arma difícil de ser empunhada por quem detém a caneta. Todavia, se o governador decidir entrar no embate público, terá de lidar com a erosão natural que o tempo causa a qualquer liderança estabelecida. O jogo catarinense, portanto, não é sobre quem lidera hoje, mas sobre quem conseguirá controlar a narrativa ao longo dos próximos 79 dias.
Finais
No que diz respeito a disputa pelas duas vagas ao Senado, o cenário prospetado pelo IPC mostra uma alta volatilidade. A liderança alternada e a disputa acirrada entre Caroline de Toni (PL), com 39%, Carlos Bolsonaro (PL), com 38,6% e Esperidião Amin (PP), com 34,1%, mostram que o eleitor catarinense, conservador como é, está fragmentando seu voto entre nomes de peso do mesmo espectro ideológico. O fato de quase 25% dos entrevistados ainda estarem indecisos, na soma do primeiro e segundo votos, indica que esta eleição tem grande margem para apresentar surpresas. Provavelmente Amin só não está literalmente encostado em Carol e Carlos, ainda, porque boa parte do Progressistas está irmanado a campanha do governador Jorginho Mello. Isto acaba esmurecendo as bases do partido, que está vendo muitos de seus líderes dormindo com o inimigo, ao invés de estar ao lado do senador neste momento.
Vale lembrar que esta analise se da com base na pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Catarinense (IPC), contratada pela Associação Catarinense de Jornais (ACJ), e divulgada nos meus comentários dos últimos dois dias. Tal levantamento foi conduzido de forma presencial entre os dias 9 e 13 de julho, com 1.050 eleitores, em 54 municípios do Estado. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09576/2026 e no Tribunal Regional Eleitoral sob o número SC-09951/2026. Para finalizar a coluna de hoje, informo que o presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Balneário Gaivota, Jaison Leal Pereira (PSDB), irá assumir o comando da Prefeitura Municipal pelos próximos 15 dias, por conta de licença tirada pelo prefeito Kekinha dos Santos (REP), e por seu vice, Jonatã Coelho (PL). Trata-se de uma articulação para valorizar a fidelidade política de Jaison.









