Vai e vem e o Sul de Santa Catarina acabou emplacando quatro candidaturas majoritárias nas eleições deste ano: uma ao Senado e três à suplência senatorial. A candidatura ao Senado é representada pela histórica militante de esquerda Marlene Soccas, filiada ao Unidade Popular de Criciúma. Formada em odontologia na UFSC no longínquo ano de 1955, Marlene integrou grupos que lutavam contra a ditadura militar instaurada no Brasil a partir de 1964, tendo sido presa e torturada entre 1970 e 1972. Desde então, passou a ser uma referência tanto para a esquerda estadual quanto para a nacional.
Já as candidaturas de suplentes são representadas pelo deputado estadual Volnei Weber (MDB), pelo já suplente de senador Beto Martins (PL) e pela psicóloga Aparecida da Silva, a Cida do PT. Volnei é candidato a primeiro suplente de Esperidião Amin (PP). Ele é deputado de dois mandatos, já tendo sido prefeito de São Ludgero. No ano passado, anunciou que não disputaria a reeleição, mas se dispôs a concorrer como suplente ao Senado. Essa pretensão chegou a ser ameaçada em duas ocasiões. Em princípio, o ex-deputado federal Edson Bez de Oliveira, o Edinho, também filiado ao MDB, se dispôs ao mesmo projeto. No entanto, com a decisão de sua filha, Leatrice Bez (MDB), de concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa, ele acabou abrindo mão dessa possibilidade. Com Edinho fora do páreo, o ex-deputado federal Rogério Mendonça, o Peninha, foi quem se dispôs a brigar pela primeira suplência do Progressistas. Havia até mesmo a possibilidade de uma votação em convenção para que o suplente de Amin fosse escolhido, mas Peninha acabou abrindo mão de sua pretensão.
Por sua vez, o atual suplente de senador Beto Martins, que já foi prefeito de Imbituba, foi encaixado pelo governador Jorginho Mello (PL) como primeiro suplente de Carol de Toni (PL). Em 2018, ele concorreu como segundo suplente de Jorginho. Com a eleição deste para o Governo do Estado, a primeira suplente Ivete Appel da Silveira (MDB) assumiu a Câmara Alta, e Beto passou a ser, então, seu substituto imediato, tendo assumido o Senado durante alguns meses. Até março, ele era secretário de Estado dos Portos, Aeroportos e Ferrovias.
A quarta candidatura majoritária do Sul do Estado é representada pela psicóloga lagunense Aparecida da Silva, a Cida do PT, que também já foi secretária municipal de Assistência Social. Ela concorrerá como candidata a segunda suplente de Afrânio Boppré (Psol), pela aliança de esquerda que orbita a candidatura governamental de Gelson Merisio (PSB).
Finais
Já que o assunto é a disputa senatorial, convém ressaltar a tão criticada candidatura do ex-vereador carioca, Carlos Bolsonaro, ao Senado, pelo PL catarinense. É que além de Carlos, seus dois candidatos a suplentes também não são de Santa Catarina. O primeiro suplente, Rafael Caleffi, nasceu no município de Vitorino, no Paraná. Já o segundo suplente, Balduino Ferreira, nasceu em Vacaria, no Rio Grande do Sul. De certo modo isto acaba sendo um tapa de luva no presidente Lula da Silva (PT), que recentemente insinuou que os catarinenses eram xenofóbicos. Por aqui, o cidadão chega de mala em cuia num ano, e no outro já pode ser senador, mesmo sem saber se Lages fica na serra ou no litoral.
E três ex-governadores de Santa Catarina estão disputando as eleições deste ano. Esperidião Amin, que já governou o Estado em duas ocasiões, tentará renovar seu mandato de senador. Raimundo Colombo (PSD), que também cumpriu dois mandatos no governo, vai disputar à Câmara Federal, a exemplo do ex-governador Carlos Moisés da Silva (União). Interessante observar que a candidatura de Carlos Moisés foi articulada pelo grupo político ligado diretamente a Esperidião Amin, para tentar dificultar o projeto eleitoral de José Milton Scheffer (PP), que também tentará se eleger deputado federal. Tudo por conta do apoio de José Milton ao projeto de reeleição de Jorginho Mello.









