A pré-campanha ao Senado por Santa Catarina pelo Partido Liberal sofreu uma nova reviravolta com a decisão do empresário Beto Martins, ex-secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias do Estado e ex-prefeito de Imbituba, de não aceitar o convite para ser o primeiro suplente da deputada federal Carol De Toni. Convidado pela parlamentar e pelo governador Jorginho Mello (PL), Beto teria avaliado a proposta junto a seus sócios e parceiros comerciais, mas teria concluido que não conseguiria conciliar suas obrigações profissionais com as exigências de uma campanha eleitoral de grande porte, comunicando, então, sua desistência ao governador e à candidata. Esta, pelo menos, foi a explicação oficial dada a imprensa. Nos bastidores da política, no entanto, o que se comenta é que, por exercer um cargo de alta relevância em uma multinacional, compondo sua diretoria, Beto Martins estaria inelegível, já que teria que ter se desincompatibilizado de suas funções profissionais até o dia 3 de junho para poder concorrer nas eleições deste ano.
O episódio encerra dias de especulação que agitaram os bastidores políticos, alimentados após o prefeito de Tubarão, Estener Soratto (PL), se antecipar e anunciar o amigo como suplente em uma rede social, o que gerou um silêncio estratégico por parte de Beto. O nome do empresário era visto com excelentes olhos para dar peso à chapa e garantir representatividade ao Sul catarinense, região que ainda não possui um nome de destaque na majoritária de Jorginho Mello.
Com a desistência de Beto Martins, a coordenação da campanha busca agora um nome alternativo. O PL do Sul do Estado quer manter o espaço que havia sido direcionado a Beto Martins, mas o PL de Joinville também está na briga pela indicação do primeiro suplente Carol de Toni, como forma de compensar o fato da atual vice-governadora, Marilisa Boehm, que é filiada ao PL, ter cedido seu espaço ao ex-prefeito Adriano Silva, que é de Joinville, todavia, é filiado ao Novo.
Finais
Questionado sobre o clima político dentro da coligação que orbita a candidatura de João Rodrigues (PSD), ao Governo do Estado, o deputado estadual Tiago Zilli (MDB), diz que ele não poderia ser melhor. O fato é que a principal chapa de oposição ao governador Jorginho Mello (PL) é uma verdadeira colcha de retalhos, que chega a unir inimigos históricos da política catarinense, como os ex-governadores Esperidião Amin (PP) e Paulo Afonso Vieira (MDB), adversários diretos na briga pelo Governo do Estado em 1998, em uma campanha marcada por pesadíssimas acusações mútuas. De acordo com Tiago Zilli, no entanto, a maturidade e o bom senso têm prevalecido. Conforme o parlamentar, o grupo é composto por políticos que deixaram suas vaidades pessoais de lado para defender temas, que, de acordo com ele, são fundamentais para o Estado, a exemplo da necessidade do governo catarinense manter uma fina sintonia com o Governo Federal. “Com Jorginho Mello isto não tem sido possível”, ressalta o deputado.
O PL do presidenciável Flávio Bolsonaro até que tentou, mas nenhum partido de expressão quis indicar seu vice. O PSD até aceitaria ser vice do PL, desde que o candidato à Presidência fosse o governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas (REP). Sem esta possibilidade, partiu para voo solo, trazendo Ronaldo Caiado do União Brasil para disputar o cargo de Chefe da Nação. O Novo jogava com esta mesma possibilidade, mas com Tarcisio confirmando fidelidade aos Bolsonaro, o partido acabou homologado Romeu Zema ao Palácio do Planalto. O Progressistas também não aceitou indicar o vice de Flávio, já o Republicanos sequer quis aliança com ele. Mesma decisão tomada pelo Podemos. Todos têm a mesma explicação interna: apoiar o bolsonarismo é jogar contra o próprio patrimônio, já que o PL cresce e os demais definham na mesma proporção. Afora isto, corre a boca graúda que, suportar um Bolsonaro no poder não é coisa para qualquer um, já que ninguém sabe mais do que eles.









