PolíticaRolando Christian CoelhoRolando Christian Coelho | Flávio Bolsonaro dá ultimato em Ana Campagnolo

Rolando Christian Coelho | Flávio Bolsonaro dá ultimato em Ana Campagnolo

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Têm sido veiculado nas redes sociais nos últimos dias uma série de vídeos dando conta do descontentamento da deputada estadual Ana Campagnolo (PL) com a anunciada candidatura do ex-vereador carioca, Carlos Bolsonaro (PL), ao Senado Federal por Santa Catarina. Ana, na verdade, só vinha verbalizando aquilo que grande parte da base do PL catarinense já nutria como senso comum, dando conta que, de fato, Carlos não é uma figura bem vinda na política do Estado.

É justamente nesse caldeirão fervente que entra o ultimato público disparado pelo presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), a deputada estadual Ana Campagnolo no dia de ontem. Aproveitando uma postagem de Dia dos Pais em que a parlamentar resgatou um vídeo institucional antigo, ao lado de caciques do PL, Flávio foi cirúrgico e implacável. Sem meias palavras, ele foi de dedo em riste para cima da deputada, praticamente exigindo que ela apoie a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado. Caso não o fizesse, que esquecesse dele e do ex-presidente Jair Bolsonaro. É que na visão de Flávio Bolsonaro, não é correto que Ana Campagnolo utilize imagens suas e do ex-presidente Jair Bolsonaro para um vídeo de auto-promoção, por exemplo, mas se negue a apoiar Carlos Bolsonaro ao Senado.

Aqui reside o xis da questão e a grande análise que é necessário que seja feita: o preço da lealdade familiar versus a sobrevivência e a autonomia das bases regionais. Ao enquadrar publicamente uma parlamentar com a capilaridade digital e a base ideológica fiel de Ana Campagnolo, a cúpula nacional do PL deixa claro que o projeto de poder do clã está acima de qualquer projeto paroquial ou regional. Não há espaço para neutralidade, corpo mole ou dissidências; no vocabulário da nova direita, quem não está 100% fechado com a tropa de choque da família, passa a ser tratado como adversário interno em potencial.

Sem muito o que fazer, Ana Campagnolo acabou dando o braço a torcer, e disse que está a disposição do PL catarinense para seguir as diretrizes que forem dadas pelo partido em relação às eleições de 2026. Ou seja, ele já admitiu antecipadamente que irá gravar o tal vídeo em apoio a Carlos Bolsonaro, notadamente, mesmo a contragosto.

Ocorre que essa fatura pode sair cara para os planos liberais em Santa Catarina. Ao emparedar Ana Campagnolo, o partido corre o sério risco de inflamar ainda mais as rachaduras internas, empurrando lideranças locais para um isolamento calculado ou para uma resistência subterrânea que pode custar caro nas urnas para o próprio Carlos Bolsonaro, afinal de contas, todo mundo já sabe, de forma prévia, que o tal vídeo não passará de um teatro, típico de período eleitoral.

Finais

O Sul do Estado conseguiu emplacar mais um nome na majoritária das eleições estaduais deste ano. Foi confirmado o ex-prefeito de Nova Veneza, Genésio Spillere (PP), como segundo suplente de senador na chapa de Antídio Lunelli (MDB). Histórico do Progressistas e liderança amplamente respeitada em todo o Sul do Estado, Genésio surge como um nome de peso para fortalecer a disputa. A chapa majoritária, encabeçada pelo candidato ao governo João Rodrigues (PSD), conta ainda com Clenilton Pereira (União Brasil), ex-prefeito de Araquari, como primeiro suplente de Lunelli. Completando o cenário da coalizão, o senador Esperidião Amin (PP) disputa a reeleição tendo Volnei Weber (MDB) como seu primeiro suplente. O segundo suplente de Amin ainda não foi definido.

O ex-prefeito de Capivari de Baixo, no Sul do Estado, Vicente Corrêa Costa (PSL), foi condenado a 13 anos de prisão no âmbito da Operação Mensageiro. As acusações incluem fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro relacionados a contratos de coleta de lixo com o grupo Serrana. Tribunal de Justiça do Estado destacou em sua sentença que o ex-prefeito priorizou interesses particulares, frustrando a confiança da população. A Operação Mensageiro é apontada pelo Ministério Público de Santa Catarina como o maior escândalo de corrupção do Estado, envolvendo dezenas de prefeituras e agentes públicos que desviaram, em conjunto, milhões de reais dos cofres públicos.

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