PolíticaRolando Christian CoelhoRolando Christian Coelho | 58% ainda não têm candidato a Senado...

Rolando Christian Coelho | 58% ainda não têm candidato a Senado ou a deputado

spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

As últimas 72 horas da campanha eleitoral poderão ser decisivas para definir quem será eleito e quem ficará pelo caminho no próximo domingo. Pesquisa Datafolha divulgada ontem ajuda a dimensionar o tamanho da disputa: a maioria dos brasileiros chega à reta final sem ter definido completamente seus votos para senador, deputado federal e deputado estadual. De acordo com o levantamento, pela média, 58% dos eleitores ainda não definiram em quem votar para senador e para deputado, tanto estadual, quanto federal. Pontualmente, 59% dos eleitores não definiram completamente, até o momento, o voto para o Senado. Apenas 27% afirmam já ter escolhido os dois candidatos, enquanto 14% decidiram somente um. Já para deputado federal, 57% permanecem sem candidato definido, mesmo percentual registrado para deputado estadual. Há três dias da votação, existe uma quantidade gigantesca de votos em disputa. Só no Sul de Santa Catarina os percentuais de indecisos correspondem nominalmente a cerca de 400 mil votos válidos, o suficiente para eleger dois deputados federais e três estaduais, além de ser um quantitativo decisivo na disputa senatorial.
É justamente por isso que hoje, amanhã e sábado podem valer tanto quanto várias semanas de campanha. Nestes últimos dias entram em campo, com força máxima, prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias, militantes, cabos eleitorais e estruturas partidárias. Somam-se entrevistas, programas de rádio e televisão, redes sociais, mensagens por aplicativos e, principalmente, o contato direto com o eleitor. É a hora do último pedido de voto, da conversa com quem ainda não escolheu seus candidatos e da mobilização das bases para transformar apoio em voto na urna. Para deputado estadual e federal, essa movimentação pode ser determinante. Dependendo da disputa interna de cada partido ou federação, algumas centenas ou poucos milhares de votos podem separar um eleito de um suplente.

Em Santa Catarina, atenção especial estará voltada para a eleição ao Senado. As duas vagas permanecem em disputa e cada eleitor poderá escolher dois candidatos. Isso torna a reta final ainda mais importante, principalmente pela batalha em torno do segundo voto. Um eleitor pode estar absolutamente decidido sobre seu primeiro candidato e chegar às vésperas da eleição sem saber para quem dará a segunda escolha. É justamente esse eleitor que tende a ser intensamente disputado nestas últimas horas. O dado nacional do Datafolha não pode ser automaticamente aplicado a Santa Catarina, mas revela a dimensão da indefinição: 59% dos brasileiros ainda não definiram completamente seus votos para senador.

A indefinição é particularmente elevada entre os jovens. Entre os eleitores de 16 a 24 anos, 75% ainda não definiram completamente o voto para o Senado. Na faixa dos 25 aos 34 anos, são 69%. Os próximos três dias, portanto, poderão alterar posições dentro dos partidos e definir as últimas cadeiras. É quando organização, presença nas ruas, força das lideranças municipais e capacidade de convencer o indeciso serão colocadas à prova. Para muitos candidatos, meses de campanha serviram para chegar competitivos até aqui. Depois de todo esse percurso, porém, poderão ser justamente estes últimos três dias que separarão quem conquistará um mandato de quem terminará a eleição na suplência.

Finais

O presidente Lula da Silva (PT) decidiu não participar do único debate presidencial promovido pela Rede Globo neste primeiro turno, marcado para esta noite. A avaliação de integrantes de sua campanha é de que o formato poderia expô-lo a uma sequência de ataques a apenas três dias da eleição. Ao ficar de fora, Lula reduz o risco de um desempenho ruim ou de uma declaração controversa dominar as últimas horas da campanha. Em contrapartida, abre espaço para que os adversários explorem sua ausência e façam críticas ao governo sem que o presidente tenha possibilidade de respondê-las diretamente, dando margem para banalizar as realizações de sua gestão. Lula sabe que não ganha no primeiro turno, e, por conta disto, suas fichas finais serão jogadas na segunda etapa da eleição.

Para o senador Flávio Bolsonaro (PL), a ausência do principal adversário retira a possibilidade do aguardado confronto direto, mas lhe oferece uma oportunidade de grande exposição nacional na reta final. O senador poderá utilizar o debate para apresentar propostas, dirigir críticas ao governo e explorar politicamente a decisão de Lula de não comparecer. No entanto, ao mesmo tempo, a ausência do presidente pode alterar completamente a dinâmica da noite: sem Lula como alvo preferencial, Flávio é que passará a ser principal candidato a ser atingido pelos demais presidenciáveis. Ainda assim, ele ganha mais do que perde ao comparecer, pois seu eleitorado primário, de acordo com as pesquisas, é totalmente consolidado. Na prática, não perderá nada e poderá ganhar batendo no espectro de Lula.

spot_img
spot_img
spot_img

Matérias Relacionadas

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui