Quem olha de fora imagina que o começo de uma campanha para presidente é aquela festa: palanque montado, discursos ensaiados e tudo nos conformes. Mas a largada do senador Flávio Bolsonaro (PL) rumo ao Palácio do Planalto está mais para um verdadeiro salve-se quem puder. Antes mesmo de o barco pegar velocidade, a chapa já acumulou tanta confusão que parece enredo de novela dramática.
Sem falar no caso do Banco Master, primeira grande dor de cabeça começou na escolha de seu vice.
Para tentar atrair votos na área de segurança pública e dar uma encorpada na chapa, Flávio puxou para o seu lado o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL). O tiro, contudo, saiu pela culatra e pegou num flanco super sensível. Gaspar virou alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal e na Polícia Federal por uma acusação daquelas de revirar o estômago: estupro de vulnerável, em um caso antigo envolvendo uma adolescente.
A defesa do deputado diz que ele é inocente, que isso é perseguição política e que vai provar tudo. Só que, na prática, colocar um nome enrolado em uma acusação desse peso logo na chapa presidencial acaba sendo um transtorno totalmente desnecessário, ainda mais diante da necessidade que o bolsonarismo tem de atrair o eleitorado feminino.
Quando a coordenação da campanha ainda estava tentando apagar esse incêndio, a burocracia eleitoral resolveu pregar outra peça. De uma hora para a outra, o sistema do Tribunal Superior Eleitoral apontou que Flávio não estava mais filiado ao PL, mas sim ao Partido Missão, que está concorrendo com empresário Renan Santos à Presidência.
O susto foi geral, porque essa brincadeira travou o registro oficial da candidatura de Flávio bem na reta final do prazo. Na prática, alguém provavelmente do Missão filiou o senador, sabe-se lá porque. Para sorte dele o atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral é o ministro Nunes Marques, que resolveu o problema em 22 segundos.
Para fechar o combo de confusões que virou a largada da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, faltava a cereja do bolo: uma boa e velha polêmica de currículo fake. Acontece que a ficha oficial do senador ostentava com todo o orgulho uma pós-graduação em Ciências Políticas que teria sido feita na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O problema é que a própria universidade foi a público checar os fatos e deu um balde de água fria: consultando os sistemas acadêmicos, constatou-se que Flávio nunca pisou lá para fazer esse curso e não há nenhum registro dele como aluno. A culpa, como sempre, recaiu sobre o tal digitador, que deve ter digitado algo errado na hora de preencher o curriculum de Flávio que foi enviado ao TSE.
O fato é que acusação ligada a estupro, dupla filiação partidária e diploma falso não são temas muito agradáveis para se começar uma campanha presidencial. A grande verdade é que Flávio começou sua jornada rumo ao Palácio do Planalto tropeçando mais que bêbado em estrada pedregosa.
Finais
- Candidato do Progressistas a deputado estadual, ex-prefeito de Balneário Arroio do Silva, Evandro Scaini, diz que votará em Ronaldo Caiado (PSD) para a Presidência da República. Caso haja segundo turno, diz que seu voto será anti-Lula. Histórico adversário do MDB em seu município, Evandro também disse que votará em Esperidião Amin (PP) e em Antídio Lunelli (MDB) para o Senado. Justifica o voto no emedebista dizendo que o primeiro suplente dele será Genésio Spilleri, ex-prefeito do Progressistas de Nova Veneza. Já para o Governo do Estado, ressalta estar totalmente alinhado com o projeto do governador Jorginho Mello (PL), de quem se diz devedor, pelos investimentos feitos em Arroio do Silva durante sua gestão. No que diz respeito a sua própria campanha, o ex-prefeito diz que tem tentado capilarizá-la o máximo possível, nutrindo, neste sentido, a expectativa de conquistar entre 12 e 15 mil votos fora da região da Amesc.
- Em novembro de 2020, a Polícia Federal deflagrou uma operação em Sombrio para apurar supostas fraudes em licitações e superfaturamento na compra de materiais de combate à COVID-19, mirando contratos de cerca de R$ 1,7 milhão realizados pela Secretaria de Saúde. A ação contou com a participação de cerca de 50 policiais federais para cumprir mandados em órgãos públicos, empresas e residências, com ordens expedidas pela 1ª Vara Federal de Criciúma. As investigações apontaram suspeitas de excesso no volume de itens adquiridos acima da necessidade real, além de sobrepreço e direcionamento, fundamentando a apuração dos crimes de organização criminosa, peculato e fraude ao caráter competitivo de licitações. De acordo com fonte ligada ao judiciário, o processo já foi julgado em primeira instância, com vários envolvidos sendo condenados a penas que chegam a 14 anos de prisão. A sentença ainda não foi publicada.









