PolíticaRolando Christian CoelhoRolando Christian Coelho | No Brasil, queda de candidaturas foi de 30%

Rolando Christian Coelho | No Brasil, queda de candidaturas foi de 30%

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As eleições gerais deste ano deram uma guinada histórica e surpreenderam, de certo modo posivitamente, ao registrar a maior queda no número de candidaturas em três décadas. De acordo com os dados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, o pleito de 2026 contará com cerca de 20.500 mil postulantes, o que representa uma baixa expressiva de aproximadamente 30% em relação à disputa nacional de 2022. Essa retração drástica não aconteceu por acaso: ela é o resultado direto de mudanças profundas nas leis eleitorais, além de crises políticas e administrativas que balançaram várias legendas. Em Santa Catarina, o percentual de queda foi de 32%.
Entre os principais motivos dessa forte queda estão as chamadas minirreformas eleitorais aprovadas ao longo da última década. Essas novas regras apertaram o cerco para a distribuição dos recursos públicos do fundo partidário, atrelando a verba ao desempenho eleitoral de cada sigla. Com isso, os partidos menores foram praticamente forçados a se unir por meio de fusões, incorporações e federações partidárias, o que acabou reduzindo o total de nomes lançados na disputa. Para piorar o cenário para os nanicos, o avanço da cláusula de barreira elevou a exigência de votos, tornando muito mais difícil atrair e financiar novos candidatos, especialmente aqueles que estão estreando na política.
Para completar a conta, o cenário foi duramente sacudido por crises internas em partidos específicos. O caso mais chamativo é o do PRTB, ligado a Pablo Marçal, que despencou de quase mil candidaturas em 2022 para apenas dez registros formalizados neste ano. A queda vertiginosa aconteceu após uma longa briga judicial pelo comando da sigla no primeiro semestre, que travou a burocracia e impediu o envio das listas de filiados no prazo, obrigando os candidatos a correrem atrás da Justiça de última hora para tentar salvar suas campanhas.
A avaliação sobre o futuro que se derivará desta queda ainda é uma incógnita. Por um lado, a redução de partidos e de candidaturas pode simplificar as negociações políticas no Congresso e nas Assembleias Legislativas, facilitando a governabilidade e a formação de maiorias. Por outro lado, há de se ressaltar o lado negativo dessa história: o processo democrático acaba ficando mais elitizado e com barreiras financeiras ainda maiores para quem está chegando agora, dificultando a renovação política e deixando os candidatos sem mandato em desvantagem frente a quem já está no poder. Não à toa, os grandes partidos se esforçaram tanto para aprovar as reformas eleitorais no Congresso. A expectativa é que em 2030 restem no Brasil apenas oito legendas competitivas, o que reduzirá significativamente o número de caciques que passarão a mandar no país.
𝗙𝗶𝗻𝗮𝗶𝘀
O Tribunal Superior Eleitoral também divulgou um raio-X de quem são as pessoas que registraram candidatura para as eleições deste ano. Os números mostram que, apesar de algumas mudanças, o perfil de quem disputa cargos políticos no Brasil ainda segue um caminho bem tradicional. Quando falamos de gênero, a diferença é grande: os homens dominam a lista com 65% das candidaturas, enquanto as mulheres ocupam 35% das vagas, mesmo com as regras de cotas que tentam equilibrar esse jogo. Já no quesito cor e raça, o cenário é bem dividido. Se somarmos quem se declarou pardo, que foram 36,2%, com quem se declarou preto, que somam 13,6%, chegamos a praticamente metade das candidaturas, atingindo um percentual de 49,8%, um número superior aos 48,68% de candidatos que se declararam brancos. Completam a lista os indígenas, com 0,9%, e os amarelos, com 0,5%. A absoluta maioria das candidaturas que se declararam pardos e pretos estão na região Sudeste e Nordeste do país.
Além de gênero e raça, os dados do Tribunal Superior Eleitoral trazem outros detalhes interessantes sobre quem está buscando um cargo público. O perfil médio do candidato brasileiro hoje é de alguém com bastante estudo: mais da metade, equivalente ao percentual de 58,5%, possui ensino superior completo, um índice bem acima da média da nossa população. Em relação a idade, a maior parte dos postulantes está na faixa dos 40 aos 59 anos, sendo que o grupo entre 45 e 54 anos é o que tem mais representantes. Em relação à vida pessoal, o estado civil mais comum entre os candidatos é o de casado, que soma 50% dos registros, seguido por solteiros, com 35%), e divorciados, com percentual de 12%. Em relação especificamente a Santa Catarina, 83,2% se declararam brancos e 15,6% se declararam pardos ou pretos. Em relação ao gênero, Santa Catarina tem 63% de candidatos homens, e 37% de candidatas mulheres, um percentual levemente mais favorável às mulheres, se comparado ao cenário nacional.
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