Eu acho fascinante viver. Porque a vida não tem explicação. Deve ser aterrador para as pessoas que gostam de explicação para tudo, viver a vida que vivemos. Desde criança eu busco a razão da nossa existência. E quanto mais estudo e penso, parece que menos progrido. Às vezes vou formando um raciocínio lógico, e quase chego lá. Mas, de repente, um novo conhecimento que adquiro faz o meu castelo de areia desabar. Então, ao invés de me desesperar, rio de mim, da minha fragilidade e das minhas limitações. Sou apenas uma formiga que botou o nariz para fora do formigueiro
Já sei! Tem gente querendo me jogar pedras. Pessoas mais inteligentes do que eu certamente já encontraram suas explicações. Daí estão tranquilas. Acontece que, sempre que eu tomo conhecimento de suas respostas, nenhuma delas me satisfaz. Acho-as simples demais, algumas ingênuas, infantis, fantasiosas, como acreditar no imponderável. As questões que me atormentam e para as quais procuro respostas tornam-se cada vez mais complexas na medida em que o meu conhecimento racional avança. Para começar, eu gostaria de saber por que nascemos numa determinada família, e não noutra? Ou, nascemos num determinado tempo e lugar, e não noutro?
Conhecendo a história como conhecemos, sabemos dos erros já cometidos pela humanidade. As guerras, por exemplo. No início das civilizações, era aceitável que os homens guerreassem para conseguir sobreviver. Os recursos eram escassos, então havia necessidade de se eliminar outros povos, a fim de se apropriar dos despojos de guerra, ou seja, de seus bens humanos e materiais. Não havia ainda o mínimo sentimento de respeito ao próximo. Não se conhecia a ética. O que me intriga é que, mesmo com o decorrer do tempo, com toda a evolução havida da inteligência humana, da Ciências e com o surgimento das religiões, as guerras, as maldades e as barbáries continuam acontecendo. O sofrimento e a crueldade cada vez mais intensos.
E a maldade humana? Por que razão ela não desaparece ou diminui? Mesmo com a infinita sabedoria, misericórdia e bondade dos deuses? Dizem! Por que vemos todos os dias noticiários de acontecimentos que nos apavoram? Acidentes por culpa humana, ou fenômenos naturais, como terremotos e tantos outros? O espaço aqui não me permite enumerá-los todos, mas para pessoas inteligentes é desnecessário. Não estou me referindo da pequena maldade humana, como sentimentos de antipatia, ciúmes ou inveja. Refiro-me às agressões covardes, cruéis e diabólicas, como os feminicídios, infanticídios e pedofilia, só para exemplificar.
Por que contrastes tão intensos entre pobreza e riqueza? Qual o motivo da infinita grandeza do Universo? Qual a razão da falta de solidariedade entre os humanos? Afinal de contas, quem somos nós? De onde viemos? Por que estamos aqui? Para onde vamos? Ninguém sabe. Alguns mentem que sabem, Inventam motivos. Mas não penses que sou infeliz. Adoro a vida bem como ela é. Toda essas complexidades e mistérios me fascinam. Olho tudo com o olhar da criança que sou. Levanto os olhos para o Céu e vejo que alguém está rindo de mim. Ah! Mas este alguém pode esperar. Um dia iremos conversar de perto. Porque tudo isso eu quero saber. E muito mais.








