Você já percebeu como algumas pessoas têm facilidade de começar e manter uma conversa agradável, que envolve verdadeiramente quem está no mesmo ambiente? Há algo inexplicável na forma como elas se relacionam com os outros que as coloca em evidência. Geralmente, esse tipo de perfil tem aquilo que conhecemos por carisma.
Por muito tempo, carisma foi considerado um talento natural, uma aptidão que nasce com a pessoa, algo impossível de ser aprendido ou ensinado. Em parte, isso é verdadeiro. Afinal, há traços particulares nas pessoas carismáticas, próprios da identidade de cada uma, que sequer conseguimos nomear.
Entretanto, a ciência não está indiferente a esse magnetismo que algumas pessoas exercem sobre as outras. As pesquisas coordenadas por Richard J. Davidson, neurocientista, professor de Psicologia e Psiquiatria e pesquisador da Universidade de Wisconsin-Madison, trazem o conceito que pode ser traduzido como influência social. Embora Davidson não fale explicitamente sobre carisma, os estudos dele indicam que habilidades sociais podem ser desenvolvidas ao longo da vida e estas, sim, impactam na formação do carisma.
Para Davidson, há quatro eixos treináveis que ajudam no bem-estar pessoal e na influência social. Entre esses, eu evidenciarei dois aqui, que você pode observar se já pratica nas conversas do seu cotidiano. São eles:
- Atenção plena no momento presente. O carismático consegue ouvir com atenção quem está presente na conversa e usa seu tempo de fala com respeito ao interesse dos demais. Consegue ler sinais de aceitação ou rejeição dos assuntos e sabe direcionar a conversa para um lugar que seja compatível com o contexto.
- Conexão com o outro. A pessoa carismática gera conexão por meio da linguagem verbal e não verbal. Uma das pesquisas de Davidson identificou que a direção do seu olhar é capaz de indicar seu nível de influência social. Os participantes da pesquisa que sustentavam o olhar na linha dos olhos dos seus interlocutores tinham maior habilidade social do que aqueles que desviavam o olhar para a boca, para baixo ou para os lados. Ou seja, sustentar o “olho no olho” com naturalidade é poderoso.
Além desses dois pontos, costumo observar que pessoas carismáticas aplicam o rapport de forma intencional. Rapport é a capacidade de criar sintonia: perceber o outro, demonstrar interesse genuíno, ajustar a comunicação e construir uma sensação de segurança na interação. Falar no mesmo volume, usar roupas que produzam identificação com o interlocutor e valorizar assuntos de preferência do outro são exemplos de práticas de rapport.
Ainda que essas técnicas não sejam suficientes para garantir que uma pessoa tenha carisma, sem elas, é quase impossível alcançá-lo. Por isso, na dúvida, olhar nos olhos das pessoas enquanto fala ou escuta e aplicar o rapport são boas práticas para priorizar na comunicação interpessoal. No ambiente profissional, essa combinação pode transformar reuniões, negociações, vendas e relações de liderança.
Dito tudo isso, talvez o maior poder do carisma não esteja em fazer alguém olhar para você. O poder do carisma está na possibilidade de você fazer o outro se perceber como alguém que recebe atenção, é tratado com respeito e visto com dignidade. E quando existe essa conexão, a comunicação deixa de ser apenas transmissão de mensagens. Ela passa a construir confiança e vontade de manter boas relações.







