Há 12 anos, sou professora em cursos técnicos e superiores, meus alunos são trabalhadores de grandes empresas e posso afirmar que não existe o fator decisivo, aquele que seja único e incontestável, que defina a motivação para o trabalho. Não por acaso, desde 1920, diferentes estudiosos dedicam-se a explicar e identificar quais fatores motivacionais mantêm colaboradores motivados, engajados, produtivos e satisfeitos. Afinal de contas, colaboradores motivados entregam mais resultado, e as organizações precisam disso para manterem-se competitivas e sustentáveis em seus mercados.
Um estudo de 2024, testou diferentes teorias motivacionais com 189 profissionais, e observou que a maior parte deles encontra na Teoria dos Dois Fatores, de Frederick Herzberg, a melhor explicação para motivação e satisfação. Nessa abordagem teórica, Herzberg distingue dois grupos de elementos. Os fatores que ele denomina como higiênicos (salário, condições físicas, políticas da empresa) evitam a insatisfação, mas não sustentam motivação por muito tempo. Já os fatores motivacionais — autonomia, reconhecimento, desafio, crescimento — são os que realmente engajam. Ou seja, as empresas precisam mesmo criar meios para fazer mais do que o básico se a intenção é manter colaboradores motivados e engajados.
Na prática, isso significa que ambientes funcionais não bastam. Pagar salários justos e oferecer boas condições físicas impedem a insatisfação, mas não geram entusiasmo. O que faz alguém se doar de verdade é sentir que seu trabalho tem propósito, sua presença é valorizada, há incentivo à autonomia e existe espaço para crescer. Talvez até aí não haja uma grande novidade.
Porém, nesse mesmo estudo, a segunda teoria considerada mais relevante entre os participantes é a Teoria da Realização, de McClelland, a qual mostra que buscar novos objetivos e aprender continuamente pesa mais na motivação do que o reconhecimento público em si. Ou seja: muitos profissionais sentem-se mais motivados em evoluir do que em ganhar visibilidade na corporação.
Talvez você considere mais uma vez: não há nenhuma grande novidade nesses estudos. Entretanto, os participantes da pesquisa tiveram acesso a outras teorias mais complexas e com respostas mais sofisticadas. Porém, para aquele grupo específico, as abordagens mais objetivas e, de certa forma, mais consagradas pelo senso comum, foram as que melhor contemplaram os anseios dos pesquisados.
E se essa mesma pesquisa fosse feita na sua organização? Quais fatores fazem você se sentir motivado? O que traz satisfação, entusiasmo, vontade de contribuir mais e tornar-se mais engajado? Saber o que o motiva pode ajudá-lo a construir uma carreira com mais significado, com mais pertencimento à organização e senso de propósito.
E para quem gerencia ou é proprietário de um negócio, também fica a dúvida. Você sabe quais são os fatores motivacionais que interferem no desempenho dos seus funcionários? Realizar pesquisas e consultorias periódicas contribuem com os setores de RH, ESG e no trabalho da liderança. Isso também é um movimento de escuta relevante que você pode promover na sua organização.







