O que você responderia se alguém perguntasse isso a você? Para boa parte da população, a resposta mais provável seja: Não. A menopausa é um assunto exclusivamente pessoal, e as empresas não deveriam se envolver em algo tão específico. E se eu dissesse que a menopausa impacta tanto a qualidade de vida das mulheres quanto o caixa das empresas e os resultados das organizações? Você mudaria de opinião?
Estima-se que o mundo perca cerca de 120 bilhões de dólares por falta de gestão da menopausa (FEM/McKinsey, 2025) e que, no Brasil, esse valor chegue a 2 bilhões considerando apenas as ausências por motivos associados (Instituto Esfera, 2026). Num cenário em que as empresas repensam processos inteiros para economizar centavos e manter competitividade e lucratividade, esses números já são um bom argumento para que a gestão da menopausa passe a ser vista como pauta prioritária, você não acha?
Se isso ainda diz pouco, há outra tendência a considerar: a ciência passou a investir mais em estudos sobre o cérebro na menopausa, e as empresas que ficarem atentas a isso poderão colher os frutos da valorização do talento feminino 40+. Como afirma a Dra. Lisa Mosconi: “Até agora, a menopausa tem sido retratada como um obstáculo tenebroso […]. A medicina ocidental enfatiza suas desvantagens e minimiza sua importância. No entanto, quando olhamos para a menopausa com uma visão integrativa, vemos que há muito mais em jogo. Na realidade, as alterações hormonais que causam a menopausa e seus sintomas estão, ao mesmo tempo, promovendo o desenvolvimento de novas e intrigantes habilidades neurológicas e mentais.”
Esse paradigma emergente, que nasce na ciência, chega agora ao mundo do trabalho com a ISO 45010, publicada em setembro de 2026, a primeira orientação internacional dedicada a apoiar organizações na gestão de menstruação e menopausa no ambiente de trabalho. De adesão voluntária, a norma traz recomendações que podem ser adotadas por organizações de qualquer porte ou setor. Na prática, o que ela prevê são, em sua maioria, ajustes simples, mas muitas vezes negligenciados: instalações adequadas, ambientes confortáveis, canais seguros de diálogo, disseminação de informação e treinamento para que gestores conversem com respeito e sem constrangimento. A complexidade está menos na técnica e mais na cultura, porque, como sempre conversamos por aqui, uma política corporativa só se concretiza quando as pessoas se sentem à vontade para falar e reforçam, no dia a dia, comportamentos coerentes com o discurso.
Dito isso, fico feliz em compartilhar essas novidades, especialmente após a publicação da ISO 45010, porque estou construindo, em parceria com a pesquisadora Ekaterine Karageorgiadis Kienen, uma solução inovadora nessa área. Com apoio inicial do Programa Nascer, estamos desenvolvendo um projeto para uma futura startup especializada em gestão da menopausa. Nossa solução oferecerá inovação, tecnologia, dados e ciência para que empresas com compromissos corporativos de equidade de gênero sejam ainda mais precisas e assertivas na efetividade de sua atuação. Quer acompanhar mais sobre esse e outros assuntos do mundo corporativo? Espero por você nas minhas redes sociais. Em breve, mais novidades.









