Um movimento nada discreto tem ganhado espaço nos bastidores da esquerda catarinense na reta final da disputa pelo Senado. A estratégia passa por estimular eleitores, especialmente petistas, a votar em Décio Lima (PT) para uma das duas vagas senatorial e direcionar o segundo voto para Esperidião Amim (PP). O objetivo é claro: fortalecer Amin para tentar impedir a eleição de Carlos Bolsonaro (PL).
Não existe, até agora, orientação pública ou oficial do PT neste sentido. Formalmente, Décio faz dobradinha com Afrânio Boppré (Psol), candidato situado no mesmo campo político. Nos bastidores, porém, setores da esquerda tem trabalhado com a avaliação de que Afrânio tem poucas possibilidades de conquistar uma das duas cadeiras ao Senado. É justamente essa percepção que abre espaço para o chamado voto útil.
A lógica é pragmática. Se parte do eleitorado de Décio considera improvável a eleição de Afrânio, o segundo voto poderia ser direcionado a um candidato com maiores condições de disputar diretamente uma vaga com Carlos Bolsonaro. Nesse raciocínio, Amin surge como alternativa, ainda que esteja historicamente situado em outro campo político.
A aproximação circunstancial entre Amin e setores da esquerda, no entanto, tem precedente. Em 2006, quando disputava o Governo de Santa Catarina contra Luiz Henrique da Silveira (PMDB), ele se aproximou do presidente Lula da Silva (PT), que concorria à reeleição presidencial contra Geraldo Alckmin (PSDB). No segundo turno, Amin declarou voto em Lula e chegou a fazer campanha com o adesivo do PT no peito.
Naquele momento, os interesses eleitorais convergiram. Amin buscava votos entre os eleitores de Lula para tentar chegar ao Governo do Estado, enquanto o petista procurava ampliar sua votação em Santa Catarina. Vinte anos depois, em circunstâncias completamente diferentes, aquele episódio ajuda a mostrar que pontes eleitorais entre Amin e o eleitorado petista não são exatamente uma novidade.
Outro aspecto chama atenção na atual campanha: Décio e Amin praticamente não direcionam seus principais ataques um contra o outro. Nos debates e manifestações públicas, não se percebe entre ambos o mesmo grau de confronto observado em relação a outros adversários. Isso não significa que exista acordo entre as campanhas, mas contribui para alimentar a leitura política que circula nos bastidores.
Publicamente, dificilmente a esquerda assumirá uma campanha pelo voto em Amin enquanto possui Afrânio Boppré na disputa. Nos bastidores, entretanto, a ideia circula: Décio no primeiro voto e Amin no segundo. Nitidamente, o que o PT não quer é mais um Bolsonaro no Senado, nem que para isto precise sacrificar um dos seus.
Finais
Pesquisas Quaest mostram cenários distintos para Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) nos cinco locais pesquisados. Em São Paulo, Flávio lidera com 36%, contra 30% de Lula, vantagem de seis pontos. No Rio de Janeiro, o candidato do PL também aparece à frente, com 38% contra 31% de Lula, diferença de sete pontos. Em Pernambuco, Lula mantém ampla vantagem: 58% contra 20% de Flávio, distância de 38 pontos. Em Minas Gerais, Lula tem 35% e Flávio 31%, configurando empate técnico. No Distrito Federal, Flávio aparece numericamente à frente, com 38% contra 32% de Lula, também em empate técnico no limite da margem de erro.
As pesquisas Quaest foram realizadas entre 25 e 28 de setembro e encomendadas pela Globo e pelo jornal O Globo. Foram entrevistadas 1.800 pessoas em São Paulo, 1.506 em Minas Gerais, 1.302 no Rio de Janeiro, 1.302 em Pernambuco e 1.104 no Distrito Federal, somando 7.014 entrevistados. O nível de confiança informado é de 95%. A margem de erro é de dois pontos percentuais em São Paulo e de três pontos nos demais locais. Registros divulgados: SP e MG, BR-05155/2026; RJ, BR-03534/2026; PE, BR-08289/2026; e DF, BR-00531/2026. Os levantamentos foram divulgados nesta terça-feira, 29.









