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Zebras das urnas: eleição derruba nomes tradicionais e deixa dez deputados com mandato de fora em SC

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Jorge Goetten despenca de 159 mil para 43 mil votos; Jair Miotto (foto) perde vaga por apenas 90 votos e políticos de projeção nacional também sofrem derrotas pelo país

As urnas produziram vencedores com votações históricas nas Eleições 2026, mas também reservaram algumas das chamadas “zebras” do pleito. Em Santa Catarina, dez deputados que exerciam mandato e tentaram permanecer na Câmara dos Deputados ou na Assembleia Legislativa não conseguiram a reeleição. No cenário nacional, nomes com décadas de trajetória política também terminaram o domingo (4) derrotados.

Em SC, dos 16 deputados federais eleitos em 2022, 13 buscaram novamente uma cadeira na Câmara neste ano. Nove conseguiram a reeleição e quatro ficaram pelo caminho. Na Alesc, 31 parlamentares tentaram permanecer no cargo e 26 foram reeleitos.

Jorge Goetten tem uma das maiores quedas

Entre os resultados catarinenses, um dos mais expressivos foi o de Jorge Goetten (Republicanos). Em 2022, ele havia conquistado 159.339 votos, terminando como o terceiro deputado federal mais votado de Santa Catarina.

Quatro anos depois, recebeu 43.449 votos e ficou na suplência. A diferença representa uma redução superior a 115 mil votos entre as duas eleições.

Também ficou de fora Ismael dos Santos (PL). Ele passou dos 110.531 votos obtidos em 2022 para 74.644 neste domingo. A disputa foi apertada: Ismael terminou a apenas 1.814 votos da última vaga conquistada pelo partido.

Mais votos e, mesmo assim, sem mandato

Talvez uma das situações mais curiosas da eleição catarinense tenha ocorrido com Valdir Cobalchini (MDB) e Fábio Schiochet (União).

Os dois aumentaram suas votações em relação a 2022, mas não foram reeleitos.

Cobalchini passou de 98.124 votos para 99.751. Schiochet teve um crescimento ainda mais significativo: saiu de 51.824 para 80.382 votos. Mesmo assim, ambos ficaram como suplentes em razão do sistema proporcional e do desempenho de seus partidos e federações na distribuição das cadeiras.

Assim, os quatro deputados federais catarinenses que buscavam a reeleição e ficaram de fora foram Jorge Goetten, Ismael dos Santos, Valdir Cobalchini e Fábio Schiochet.

Na Alesc, 90 votos fizeram a diferença

Se houve resultado apertado, ele ocorreu na disputa pela Assembleia Legislativa.

Jair Miotto (PL) recebeu 36.971 votos e não conseguiu permanecer na Alesc. A diferença para Marcius Machado (PL), que conquistou a última cadeira do partido, foi de apenas 90 votos.

Outro nome do PL que ficou de fora foi Ivan Naatz, com 35.606 votos.

Já Matheus Cadorin (Novo) praticamente dobrou sua votação. Ele havia recebido 12.390 votos em 2022 e chegou agora a 22.776, mas o desempenho da legenda garantiu apenas uma cadeira na Assembleia.

Marcos Vieira também fica fora

Outro resultado de destaque foi a derrota de Marcos Vieira (PSDB). Mesmo recebendo 37.916 votos, ele não conquistou uma cadeira porque a federação PSDB/Cidadania não alcançou o desempenho necessário para participar da distribuição das vagas.

Berlanda (PSD) também não conseguiu a reeleição. Sua votação caiu de 41.488 em 2022 para 22.821 votos neste ano.

Completa o grupo Alex Brasil (PL), suplente que estava exercendo mandato na Alesc e recebeu 19.570 votos.

Com isso, os seis deputados estaduais que exerciam mandato e tentaram continuar na Assembleia, mas ficaram de fora, foram Jair Miotto, Ivan Naatz, Marcos Vieira, Matheus Cadorin, Berlanda e Alex Brasil.

Alesc terá renovação de 35%

Apesar das derrotas, a maior parte dos atuais parlamentares que disputaram novamente conseguiu permanecer na Assembleia.

Dos 40 deputados que formarão a próxima legislatura, 26 foram reeleitos, 11 exercerão o primeiro mandato e três retornarão à Casa, resultando em renovação de 35% das cadeiras.

A eleição catarinense também produziu votações expressivas. Ana Campagnolo (PL) liderou a disputa estadual com 387.523 votos, seguida por Luciane Carminatti (PT), com 124.590.

“Zebras” também atingem caciques nacionais

Fora de Santa Catarina, a eleição também derrubou nomes com longa trajetória na política brasileira e atingiu diferentes campos partidários.

Uma das derrotas de maior repercussão ocorreu em Alagoas. O senador Renan Calheiros (MDB) não conseguiu uma das duas cadeiras ao Senado. Com uma trajetória parlamentar iniciada ainda em 1979 e mais de três décadas no Senado, Renan ficará fora do Congresso.

No Piauí, o senador Ciro Nogueira (PP) também não conseguiu a reeleição. As duas vagas ficaram com Marcelo Castro (MDB) e Julinho do Lula (PSD).

No Paraná, Gleisi Hoffmann (PT) tentou retornar ao Senado, mas terminou a disputa fora das duas vagas. Ela recebeu 1.542.636 votos e ficou em quarto lugar.

José Dirceu tenta voltar, mas fica fora

Em São Paulo, outra surpresa envolveu José Dirceu (PT). O ex-ministro tentou retornar à Câmara dos Deputados, mas recebeu 78.449 votos e não foi eleito.

Também ficaram sem mandato nomes históricos do PT, como Vicentinho, que exerceu seis mandatos de deputado federal, e Rui Falcão, ex-presidente nacional do partido. O então deputado e ex-ministro Paulo Teixeira também não conseguiu a reeleição.

Ciro Gomes é derrotado no Ceará

Outra disputa de grande repercussão terminou com derrota de Ciro Gomes (PSDB). O ex-governador tentou retornar ao comando do Ceará, mas foi superado por Elmano de Freitas (PT).

O primeiro turno também deixou sem mandato eletivo outros nomes conhecidos nacionalmente, entre eles Aécio Neves (PSDB), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), Randolfe Rodrigues (PT), Marcelo Crivella (Republicanos), Manuela D’Ávila (PSOL) e Soraya Thronicke (PSB).

Urnas redesenham forças políticas

As chamadas “zebras” precisam ser observadas com uma particularidade importante nas eleições proporcionais. Nem sempre um candidato a deputado que recebe mais votos individualmente fica com a vaga. O número de cadeiras depende também da votação obtida pelo partido ou federação e das regras de distribuição previstas no sistema proporcional.

Isso ajuda a explicar situações como as de Fábio Schiochet e Valdir Cobalchini, que aumentaram suas votações em Santa Catarina e, ainda assim, perderam os mandatos.

Ao fim da apuração, Santa Catarina registrou 81,05% de comparecimento, com mais de 4,6 milhões de eleitores indo às urnas. A totalização das 17.326 seções eleitorais do Estado foi concluída às 21h55 de domingo.

Entre votações recordes, diferenças mínimas e derrotas de políticos experientes, as urnas de 2026 mostraram que mandato, projeção nacional e até crescimento no número de votos não são garantia de eleição. Em Santa Catarina, dez parlamentares que chegaram ao domingo ocupando uma cadeira terminarão seus mandatos em 31 de janeiro de 2027. No dia seguinte, começa uma nova composição do Legislativo estadual e federal.

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