Pet em focoA vida é curta ou a vida é longa?  

A vida é curta ou a vida é longa?  

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Alguém já falou para você que a vida é curta? Eu já escutei isso muitas vezes e falei outras tantas. Basta ficar algum tempo sem ver um sobrinho que, ao reencontrá-lo em outra fase da vida, constatamos: “ A vida é curta e tudo passa muito rápido.” Uma empresa, que vimos nascer outro dia, comemora aniversário de 25 anos de fundação. Um colega, que parece ter entrado ontem na empresa, recebe homenagem por trabalhar há 15 anos no setor. Cada evento marcante chega para reforçar: a vida é mesmo curta, passa muito rápido e, na medida em que ficamos mais velhos, o tempo parece acelerado. 

Eu cresci convencida de que a vida passava muito rápido até ouvir da minha mãe algo totalmente contraintuitivo: “ A vida é looonga, minha filha.” Com um prolongamento na primeira sílaba da palavra looonga, ela deu ainda mais ênfase (e peso) à duração da vida. Para minha mãe, a vida é longa porque ela demanda de nós uma constância em sustentar quem somos, o que temos e o que queremos. Com ela, eu aprendi que, a partir do momento em que estamos no mundo, passamos a construir uma história de vida que vai nos definindo e que demanda autorresponsabilidade para bancar nossas escolhas, aproveitar oportunidades, fugir de armadilhas, errar e assumir esses erros, arriscar e bancar os custos, deixar ir ou permanecer, usufruir com consciência do que conquistamos, etc. 

E, afinal, o que isso tem a ver com comunicação, carreira e negócios? Vivemos na Era da Inteligência Artificial, da hipercomunicação, da alta produtividade de máquinas, processos e pessoas. No discurso das redes sociais, parece muito fácil encontrar uma forma de ganhar dinheiro em pouco tempo e escalar os negócios. Porém, salvo raríssimas exceções, a maioria das pessoas precisa investir tempo e recursos para construir uma reputação que gere a confiabilidade necessária para crescer na carreira e ampliar seus negócios. E é neste ponto que eu quero chegar: A vida é longa demais, e você precisa considerar a jornada de crescimento profissional como um período maior e mais desafiador do que os anúncios que circulam na Internet. 

O problema é que a lógica imediatista em que vivemos gera a ideia de que qualquer pessoa pode construir qualquer coisa, em um piscar de olhos, e ganhar muito dinheiro. São promessas atrativas que têm levado adultos em idade produtiva a novos comportamentos, os quais geram impactos à economia. É mais difícil aproximar e reter talentos. Há uma certa descrença em tudo o que demora mais de um ano para dar resultado. O futuro do trabalho também é incerto e gera desconfiança. Os custos de vida são elevados e é preciso garantir meios de sobrevivência. Então, para muitas pessoas, pensar e viver o presente é a alternativa possível, viável ou preferida. Sem muito tempo para investir em si e na carreira, o importante é o agora e a vida realmente deve passar voando. 

Agora, se considerarmos que a expectativa de vida nacional é, em média, de 76,6 anos (entre homens, 73,3, e entre mulheres, 79,9 anos) e que a maior parte dos brasileiros tem renda a partir do próprio trabalho, então é preciso aceitar que a vida é longa e  que uma trajetória profissional deve ser construída com atenção, critérios, intencionalidade e estratégia. Se, no ambiente de negócios, a sustentabilidade de uma empresa é medida a partir de indicadores como inovação, lucratividade e governança. No caso da carreira, um indicador que todo profissional deve cuidar é a reputação. 

A reputação é uma percepção social que você gera a partir de um conjunto de saberes, competências, habilidades e atitudes. Ela é construída por você, diariamente, ao mesmo tempo em você vai se formando como pessoa e profissional. Quem investe na própria reputação, não recebe retorno imediato, mas percebe que, gradativamente, ganha reconhecimento, e isso faz com que os resultados cheguem com menor esforço. Isso acontece porque quem constrói uma boa reputação gera credibilidade, constrói autoridade, torna-se referência no que faz e atrai oportunidades. É esse investimento cotidiano na reputação que faz a vida longa tornar-se mais agradável porque você passa a ser percebido por aquilo que você construiu, com base no que você acredita. Não é um atalho, é um caminho longo, feito em uma estrada mais iluminada, com boas condições para quem decide caminhar um pouco por dia, investindo tempo e colhendo confiança. 

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