PolíticaRolando Christian CoelhoAmin, Carol e Décio foram os que mais perderam com Antidio

Amin, Carol e Décio foram os que mais perderam com Antidio

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A entrada de Antídio Lunelli (MDB) na corrida pelo Senado Federal em Santa Catarina alterou significativamente o tabuleiro eleitoral, funcionando como um elemento de dispersão que impacta de formas distintas cada campo político. Ao analisarmos a movimentação dos votos, com base na pesquisa Neokemp que divulguei ontem, fica claro que o principal prejudicado pela presença de Antidio na disputa majoritária deste ano é o senador Esperidião Amin (PP), que, ironicamente, é seu companheiro de chapa ao Senado. O senador, que busca consolidar o voto de centro-direita e conservador, viu sua soma de votos cair de 31,5% para 22,3%, perdendo fôlego justamente para uma candidatura que, embora ocupando um espectro similar, apresenta um apelo diferente junto ao eleitorado, mais ligado a base emedebista. Isto prova que havia muito emedebista dando seu primeiro ou segundo voto a Esperidião Amin.

Caroline De Toni também sofreu um revés considerável, se observarmos que a sua soma de intenções de voto regredir de 48% para 40% com a entrada de Antidio. A candidatura dele atrai parte do eleitorado que, no cenário anterior, via na deputada uma opção prioritária ou estratégica, fragmentando o apoio que anteriormente se concentrava nos nomes ligados ao PL. Isto porque Antidio, ainda que filiado ao MDB, é um bolsonarista declarado. Por outro lado, Carlos Bolsonaro demonstra uma resiliência notável. Embora tenha perdido percentual no primeiro voto, sua soma total manteve-se praticamente estável, indicando que sua base eleitoral possui um grau de fidelidade que resiste melhor à entrada de novos competidores do que a os demais nomes da direita.

Do lado oposto, Décio Lima também registrou uma perda na soma de seus votos, caindo de 27,3% para 23,5%, o que sinaliza que a pulverização causada por Antidio Lunelli atinge transversalmente candidatos de diferentes campos ideológico. Basicamente, Antidio tira votos de Amin e Carol por seu bolsonarista também, e tira votos do PT porque o MDB tem grande parte de seu eleitorado indentificado com a idelologia de esquerda. Curiosamente, Afrânio Boppré aparece como um dos beneficiários do cenário fragmentado: sua soma de votos subiu de 16% para 20,5%, sugerindo que, com a centro-direita dividida entre quatro nomes fortes, o eleitorado de esquerda tende a consolidar seu apoio no candidato do PSOL.

Finais

O grande vencedor estratégico, no entanto, é o próprio Antídio Lunelli. Ao conquistar 19,2% na soma dos votos em sua entrada na disputa, ele não apenas se estabelece como um ator central, mas também traz consigo uma vantagem competitiva crucial: a baixíssima rejeição. Enquanto nomes como Carlos Bolsonaro e Décio Lima enfrentam índices de rejeição elevados — 33,1% e 28,1%, respectivamente —, Lunelli aparece com apenas 2,6%. Essa condição o transforma em um elemento de “desconforto” para os adversários, pois, caso a campanha evolua para um cenário onde a rejeição dos líderes se torne o fator determinante, Lunelli possui o maior potencial de crescimento para captar o voto do eleitor moderado ou daquele que busca uma alternativa menos polarizada. A pesquisa Neokemp que serviu de base para esta análise ouviu 1.008 eleitores em 93 municípios catarinenses entre os dias 15 e 16 de junho, apresenta uma margem de erro de 3,1 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número SC-05232/2026.

De passagem por nossa região ontem, onde cumpriu atos administrativos em Timbé do Sul e Praia Grande, o governador Jorginho Mello (PL) descartou qualquer possibilidade mudar seu candidato a vice, para o pleito eleitoral de outubro. De acordo com Jorginho, o fato do presidenciável Romeu Zema (Novo) estar criticando a pré-candidatura do também presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) não atinge o ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva, que também é filiado ao Novo. Conforme Jorginho, o ex-prefeito já se posicionou de forma contrária as declarações de Zema, e o Novo catarinense, que detém a presidência nacional do partido, também já sinalizou sua discordância em relação a tais manifestações do candidato a presidente da legenda. Confrome o governador, a presença de Adriano Silva como candidato a vice em sua chapa, de sua parte, está totalmente garantida.

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