Como Romper a Insegurança, Formar Líderes e Criar Oportunidades
Há quem confunda oportunidade com oportunismo. Embora as palavras sejam semelhantes, os sentidos são opostos. Enquanto o oportunismo nasce do egoísmo e do imediatismo, a oportunidade é fruto da preparação e da criação de valor.
Tanto no mundo da liderança quanto na vida pessoal, encontro pessoas que se encaixam nesses dois perfis. De um lado, existem aqueles que se aproveitam das situações apenas para subir mais um degrau — não porque buscam um campo real de crescimento, mas pelo conforto do atalho e pela ganância de uma vantagem temporária. Já vi gente jogar sujo para alcançar aquele tão sonhado “lugar ao sol”.
Isso, francamente, me entristece. Pessoas despreparadas e mal equipadas para os cargos que ocupam, usando e abusando do poder sem a maturidade necessária para exercer a função.

Entretanto, também tenho visto pessoas que não se sentem capacitadas para assumir certas posições simplesmente por falta de autoconfiança. Isso também me entristece: gente extremamente qualificada, que poderia fazer uma enorme diferença na sociedade e no mundo, mas que cresceu em um ambiente que nunca reconheceu o seu valor.
Talvez nascer e crescer na tão chamada “Santa & Bela Catarina” tenha sido um dos maiores privilégios da minha vida. As oportunidades foram incontáveis e certamente serviram como um grande pilar para sustentar o meu alicerce e o meu desenvolvimento, tanto pessoal quanto profissional.
Quanto à cultura, cresci em uma região cercada por descendentes de portugueses e italianos. Quem visita minha terra se encanta com a natureza que se esparrama da serra ao mar, contrastando a beleza dos cânions com as praias. É fascinante como as duas culturas se mesclam — tanto que demorei para entender que, quando a minha gente parecia “falar errado”, na verdade estava apenas fundindo seus vocabulários.
Eu amava visitar meus amigos descendentes de famílias italianas. A mesa era sempre farta, cheia de delícias típicas, e a tradicional polenta não podia faltar. Ela vinha acompanhada daquele queijo caseiro que dava água na boca só de ver a nonna cortando.
A vida me ensinou uma lição valiosa desde então: as oportunidades muitas vezes surgem em momentos simples, porém profundos. Muitas pessoas têm “a faca e o queijo na mão”, mas não sabem como cortar ou nunca foram incentivadas a fazê-lo.
Sentar e esperar uma oportunidade cair do céu é como esperar alguém cortar o queijo por você. O momento pode nunca chegar. Isso também pode nos privar de um futuro promissor. Se não tomarmos a iniciativa, alguém assumirá a frente e fará no nosso lugar, enquanto apenas assistimos o tempo passar.
A expressão “ter o queijo e a faca na mão” mostra que a oportunidade e o poder de controlar o processo já estão em nossas mãos. Mas, na jornada do desenvolvimento de líderes, percebo algo profundo: muitas vezes, o maior obstáculo não é a falta de oportunidades ou de motivação, mas a falta de autoconfiança.
Já perdi a conta de quantas pessoas vi subestimando a própria capacidade diante de novos desafios. Bastou que alguém acreditasse nelas e lhes desse o espaço necessário para que revelassem um potencial oculto que as deixou surpresas. O verdadeiro poder da liderança está em fazer o outro enxergar a faca e o queijo que ele já carrega — e encorajá-lo a fazer o primeiro corte.
O oportunista pode até chegar rápido ao topo pegando atalhos, mas a sua queda é inevitável porque a base é frágil. Já quem se prepara constrói uma autoridade sólida e duradoura.
A pergunta que fica é: você está buscando um atalho temporário ou está pronto para cortar o queijo, transformar-se na sua melhor versão e impactar positivamente o mundo à sua volta?








