A destinação correta dos resíduos sólidos segue como um dos principais desafios enfrentados pelos municípios do Vale do Araranguá. Em entrevista à Rádio Araranguá, o empresário e ex-prefeito de Meleiro, Éder Mattos, voltou a defender a implantação efetiva da triagem de resíduos como alternativa para cumprimento da legislação ambiental, redução de custos e diminuição do volume de lixo destinado aos aterros sanitários.
Segundo Mattos, a discussão ganhou força após notificações emitidas pelo Ministério Público aos municípios da região, cobrando o cumprimento dos Planos Municipais de Resíduos Sólidos.
De acordo com ele, a legislação brasileira avançou a partir de recomendações da ONU, culminando na criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei Federal nº 12.305/2010, que estabeleceu obrigações para estados e municípios em relação ao gerenciamento e destinação adequada dos resíduos.
Comissão regional buscou alternativas
Para atender às exigências legais, foi criada uma comissão regional voltada à busca de soluções para o gerenciamento do lixo. Durante esse processo, Mattos visitou diferentes cidades brasileiras para conhecer modelos de triagem e tecnologias aplicadas ao setor.
Segundo ele, foi a partir dessas visitas que surgiu a Ambiental Serramar, estrutura criada para operar uma parceria voltada ao tratamento dos resíduos sólidos da região.
A unidade está localizada entre Araranguá e Ermo, em uma área considerada estratégica para atender toda a região da Amesc.
Estrutura opera abaixo da capacidade
Apesar da estrutura já estar em funcionamento para triagem dos resíduos, Mattos afirma que a adesão dos municípios ainda é baixa.
Atualmente, segundo ele, apenas Maracajá e Ermo estariam cumprindo integralmente as exigências relacionadas à triagem.
Na unidade, o lixo coletado passa por uma esteira onde trabalhadores realizam a separação manual dos materiais recicláveis, como plásticos, papelão, roupas e outros itens reaproveitáveis.
De acordo com Mattos, esse processo permite retirar cerca de 30% do peso e até 50% do volume dos resíduos antes da destinação final, reduzindo significativamente o material encaminhado aos aterros sanitários.
Tecnologia busca reduzir dependência dos aterros
Além da triagem, a empresa aposta em tecnologia de pirólise para o tratamento dos resíduos que não podem ser reciclados.
Segundo Mattos, o sistema permite transformar parte dos resíduos em óleo de pirólise, combustível com valor comercial que pode ajudar a financiar o próprio processo.
A proposta, segundo ele, é reduzir drasticamente a dependência de aterros sanitários, destinando apenas uma pequena parcela do volume total ao descarte final.
Economia e geração de empregos
Mattos defende que a implantação do sistema pode gerar economia para os municípios, especialmente pela redução dos custos logísticos com transporte até aterros sanitários em outras cidades, como Içara.
Além disso, a ampliação da operação também pode representar geração de empregos diretos. Atualmente, a cooperativa ligada ao projeto tem capacidade para processar cerca de 600 toneladas por mês, número ainda abaixo da demanda regional estimada em aproximadamente 1.400 toneladas mensais.
Cobrança por maior adesão
Ao final da entrevista, Éder Mattos voltou a cobrar maior participação dos municípios e uma atuação mais firme dos órgãos fiscalizadores.
Ele também citou a recente sentença judicial envolvendo o município de Araranguá, que determinou a implementação da Política Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos até 2028.
Para o ex-prefeito, a estrutura já existe e está à disposição da região, faltando agora maior adesão dos municípios e avanço na efetiva aplicação da legislação ambiental.












