Uma operação deflagrada nesta quinta-feira (20) investiga um suposto esquema envolvendo créditos indevidos de ICMS que pode ter causado prejuízo superior a R$ 500 milhões aos cofres públicos. A investigação envolve empresas ligadas à Baly Brasil, fabricante de energéticos sediada em Tubarão e que prepara uma importante expansão de suas operações em Araranguá, no Sul de Santa Catarina.
Batizada de Operação Labirinto Fiscal, a ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público de Santa Catarina, em apoio à 6ª Promotoria de Justiça de Criciúma.
Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em Tubarão (SC) e Manaus (AM). A investigação apura suspeitas de crimes contra a ordem tributária e lavagem de capitais.
Baly adquiriu parque industrial de 500 mil m² em Araranguá
Embora os mandados tenham sido cumpridos em Tubarão e Manaus, a investigação chama atenção também em Araranguá, município escolhido pela Baly para uma das principais etapas de seu plano de expansão.
A fabricante adquiriu na cidade um parque industrial de aproximadamente 500 mil metros quadrados. O investimento faz parte da estratégia da companhia para ampliar sua capacidade produtiva.
A Baly produziu mais de 550 milhões de litros em 2025 e projeta alcançar capacidade de 1 bilhão de litros a partir de 2026.
Fundada em Tubarão, a empresa faturou R$ 1,8 bilhão em 2025 e terminou o ano na liderança do mercado brasileiro de energéticos em volume vendido, segundo a EXAME. Para 2026, a projeção é atingir R$ 2,5 bilhões em faturamento.
A presença da companhia em Araranguá, portanto, coloca o município diretamente no mapa da expansão de uma das maiores fabricantes de energéticos do país.
O que está sendo investigado
Segundo o Ministério Público, empresas vinculadas ao mesmo grupo econômico teriam realizado operações comerciais interestaduais com valores supostamente superfaturados.
A suspeita é de que insumos fornecidos por uma empresa localizada em Manaus fossem comercializados por valores artificialmente elevados para uma fabricante em Santa Catarina. Dessa forma, os valores maiores poderiam ampliar os créditos de ICMS registrados.
A Secretaria de Estado da Fazenda estima que as irregularidades investigadas possam ter provocado prejuízo superior a R$ 500 milhões.
Em Manaus, as buscas ocorreram na Fruts Indústria de Concentrados da Amazônia. Conforme a EXAME, os sócios-administradores Dayane Titon Cardoso e Mario Junior Cardoso também fazem parte da gestão da Baly.
O advogado tributarista Jailson Pereira, representante da Fruts e da Bebidas Grassi, engarrafadora da Baly, afirmou à EXAME que as empresas não são devedoras de tributos e que a operação teve como objetivo coletar documentos para analisar as transações entre as companhias.
A defesa também contesta a suspeita de superfaturamento e afirma que características próprias do processo produtivo poderiam justificar preços diferentes dos praticados no mercado.
Empresa se manifesta
Em posicionamento divulgado à EXAME, a Fruts afirmou ter recebido a operação com surpresa e declarou atuar em conformidade com a legislação tributária brasileira.
A empresa sustenta que os benefícios fiscais utilizados são previstos na legislação e reconhecidos pelos órgãos competentes. Também informou que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações.
Os documentos, equipamentos e demais materiais apreendidos serão submetidos à perícia.
Não há informação, na reportagem da EXAME, de que o parque industrial adquirido pela Baly em Araranguá tenha sido alvo dos mandados. As medidas mencionadas na operação ocorreram em Tubarão e Manaus. As suspeitas permanecem sob investigação.









