CulturaInspiração para livro surge de festa de família em Santa Rosa

Inspiração para livro surge de festa de família em Santa Rosa

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Festa foi organizada por uma professora negra, que em 2015, iniciou uma pesquisa sobre uma residência antiga localizada no município de Passo de Torres e descobriu que o proprietário havia tido escravos

 

Região

Santa Rosa do Sul

Os encontros de família estão cada vez mais comuns. Pessoas que dividem um mesmo sobrenome se reúnem para resgatar suas origens, reencontrar parentes mais distantes e mostrar orgulho por suas raízes.

A festa realizada no último domingo em Santa Rosa do Sul pela família Rosa, teve tudo isso e um importante componente a mais: foi a primeira organizada por uma família negra.

A ideia do encontro começou a surgir na mente da educadora Eliana Santos da Rosa, em 2015. Ela começou uma pesquisa sobre uma residência antiga localizada no município de Passo de Torres e descobriu que o proprietário havia tido escravos. Eliana é negra e se interessou ainda mais pelo assunto que já chamava a sua atenção. “Quando criança eu morava na Vila Conceição, em São João do Sul, e percebia que não tinha outras pessoas como nós, eram raras”, conta.

As pesquisas resultaram na festa já realizada, e vão culminar em um livro, ainda sem data para lançamento, que terá como título Negritude de Minhas Memórias.

Uma comissão dos Rosa auxiliou a organização da festa, e uma das participantes foi Cristina Rosa dos Santos, prima de Eliana. Cristina confessa que conhecia pouco a história de seus antepassados, e ficou feliz por saber mais sobre aqueles que vieram antes dela e enfrentaram condições de vida muito mais duras, principalmente em relação ao racismo.

As primas explicam que não se trata de ‘vitimismo’, como algumas vezes existe acusação, e sim resgatar a história da família, e de certa forma dos negros de maneira geral no Extremo Sul catarinense, ainda pouco conhecida. Além disso, dá aos descendentes ainda mais motivos de orgulho por sua gente, sua cor e suas conquistas. “O que temos a dizer aos jovens é que não deixem de sonhar. Às vezes eu fazia que não via o preconceito e seguia em frente”, finaliza Eliana, que é funcionária pública e mora em Passo de Torres.

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