Levantamento do Ministério Público de Santa Catarina revela índices de feminicídio nas comarcas da região e reforça a importância da prevenção à violência contra a mulher
No Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, celebrado em 22 de julho, dados do Mapa do Feminicídio de Santa Catarina, elaborado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), revelam um cenário preocupante para o Extremo Sul catarinense. O levantamento aponta que todas as comarcas da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc) registraram feminicídios nos últimos anos, tendo Meleiro a maior taxa da região.
O estudo considera a taxa de feminicídios por 100 mil mulheres, indicador que relaciona o número de casos à população feminina de cada comarca, permitindo uma comparação mais precisa entre municípios de diferentes portes.
Nesse ranking, a Comarca de Meleiro aparece em primeiro lugar, com taxa de 7,9 feminicídios por 100 mil mulheres. Em seguida estão Araranguá, com 2,8, e as comarcas de Sombrio e Turvo, ambas com 2,5. A Comarca de Santa Rosa do Sul registra taxa de 2,0 por 100 mil mulheres.
Embora Meleiro seja a comarca com o maior índice proporcional, os dados demonstram que a violência letal contra as mulheres está presente em toda a região, reforçando a necessidade de fortalecer políticas públicas de prevenção, ampliar a rede de proteção e incentivar denúncias ainda nos primeiros sinais de violência doméstica.
O levantamento também apresenta o número absoluto de vítimas. Na Comarca de Santa Rosa do Sul, por exemplo, foram registrados dois feminicídios no período analisado. Já a taxa de Sombrio, de 2,5 mulheres em 100 mil habitantes, evidencia que, mesmo com menor número absoluto de casos, a incidência da violência permanece elevada quando considerada a população feminina.
Segundo o Ministério Público, o feminicídio raramente acontece de forma repentina. Em grande parte dos casos, ele é precedido por ameaças, agressões físicas, violência psicológica, perseguições e outras formas de controle exercidas pelo agressor. Identificar esses sinais e interromper o ciclo da violência antes que ele resulte em morte é um dos principais objetivos do Mapa do Feminicídio de Santa Catarina.
Desenvolvida pelo Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT) e pelo Escritório de Ciências de Dados Criminais (EDC) do MPSC, a ferramenta reúne informações sobre os feminicídios registrados entre 2020 e 2024, com atualização dos números absolutos até 2025, subsidiando pesquisas, políticas públicas e ações de prevenção.
Taxa de feminicídios nas comarcas da Amesc
- Meleiro: 7,9
- Araranguá: 2,8
- Sombrio: 2,5
- Turvo: 2,5
- Santa Rosa do Sul: 2,0
O Ministério Público reforça que o combate ao feminicídio depende do envolvimento de toda a sociedade. Reconhecer os sinais da violência, acolher as vítimas, denunciar os agressores e fortalecer a rede de proteção são medidas fundamentais para impedir que mais mulheres tenham suas vidas interrompidas pela violência de gênero.









