Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar no Rio de Janeiro, se reuniu ontem com o presidente nacional de seu partido, Valdemar da Costa Neto. A reunião foi pautada pela prospecção de cenários voltados às eleições de 2026, em diversos Estados do país, como também pelo encaminhamento de tratativas ligadas ao futuro político da família Bolsonaro.
Em princípio, o ex-presidente almeja disputar a Presidência da República novamente. Isto, no entanto, está totalmente condicionado a votação favorável, pelo Congresso Nacional, do projeto de anistia dos envolvidos na chamada trama golpista, de 8 de janeiro de 2023. Mesmo diante de um caminho extremamente tortuoso para que isto seja viabilizado, Bolsonaro tem insistido na tese de sua pré-candidatura. Em função disto, ele tem pontuado de forma mais clara os espaços que deverão ser ocupados por seus familiares no cenário político do ano que vem.
Sua esposa, Michele Bolsonaro, está elencada para disputar uma vaga ao Senado Federal pelo PL do Distrito Federal. Seu filho 01, o atual senador pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro, concorrerá a reeleição por seu Estado. Seu filho 03, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, deverá disputar o Senado por São Paulo. Seu filho 04, Renan Bolsonaro, que é vereador do PL em Balneário Camboriú, poderá disputar a Câmara dos Deputados por Santa Catarina.
No que diz respeito ao filho 02, o atual vereador carioca Carlos Bolsonaro, as possibilidades de candidaturas são múltiplas. Em um primeiro momento ele está escalado para concorrer ao Senado por Santa Catarina. A resistência que este projeto tem enfrentado em nosso Estado, no entanto, fez com que a família Bolsonaro vislumbrasse outras possibilidades. As duas mais plausíveis são, também, uma candidatura ao Senado pelo Espírito Santo ou por Roraima.
No Espírito Santo, no entanto, o senador Magno Malta (PL) quer emplacar as candidaturas ao Senado Federal de sua filha, Magda Malta, e de seu protegido político, o deputado federal Evair de Melo, ambos filiados ao PL. O caminho mais curto para resolver o empasse estabelecido no Estado é através das candidaturas da filha de Magno Malta e do filho 02 de Bolsonaro. Evair de Melo, no entanto, ameaça romper com o PL se isto acontecer.
Já em Roraima o espaço está mais aberto para a família Bolsonaro. O Estado, a exemplo de Santa Catarina, é francamente alinhado com o pensamento bolsonarista, o que praticamente garantiria a eleição de Carlos Bolsonaro ao Senado. Por conta dos entraves que vêm sendo encontrados em Santa Catarina e no Espírito Santo, Roraima pode se tornar o futuro destino eleitoral de 02.
Há também uma possibilidade pequena de que Carlos Bolsonaro dispute o Senado por São Paulo, na vaga que está reservada a Eduardo Bolsonaro. O atual deputado, que está morando nos Estados Unidos, já ressaltou que teme voltar ao Brasil e ser preso. Se Eduardo não voltar, Carlos poderá substituí-lo na disputa pelo Senado via PL paulista. Convém ressaltar, no entanto, que vários outros políticos do PL estão na fila para concorrer ao Senado pelo Estado, até mesmo políticos também oruindos de outros Estados. Já no que diz respeito a sua pretensa candidatura presidêncial, Jair Bolsonaro começa a dar sinais de que ela precisar ser substituida. O nome de seu substituto será o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que deverá deixar o Republicanos e se filiar ao PL para viabilizar o projeto.
Finais
O médico Irani Alberton deverá mesmo ser o candidato do Progressistas à Assembleia Legislativa, ano que vem, pela região de Criciúma. No ano passado ele concorreu como candidato a vice-prefeito daquele município na chapa encabeçada pelo então vereador Júlio Kamiski (PP). A informação quanto à pré-candidatura foi repassada à imprensa pelo presidente estadual do Progressistas, Leodegar Tiscoski. A confirmação do projeto político de Irani é uma excelente notícia para o prefeito de Balneário Arroio do Silva, Evandro Scaini, que irá concorrer ao parlamento catarinense em 2026. Tradicionalmente, candidatos de Criciúma, filiados a legendas históricas, como é o caso do Progressistas, roubam muitos votos de candidatos de seus respectivos partidos oriundos da região da Amesc. Irani não oferece este risco a Evandro pois se trata de uma figura totalmente nova no cenário político do Sul do Estado, sem qualquer tipo de base eleitoral em nossa região.
Indicativo do deputado federal em exercício, Luiz Fernando Vampiro, de que deverá deixar o MDB e se filiar ao PSD para concorrer à Assembleia Legislativa, ano que vem, revigorou os ânimos do ex-deputado federal Edson Bez de Oliveira (MDB). Edinho já se lançou como pré-candidato a deputado federal, mas a viabilização do projeto está totalmente condicionada ao fato de Vampiro não disputar a reeleição por seu atual partido. O MDB do Sul do Estado já deliberou que a legenda terá apenas um candidato a deputado federal e três a estadual na mesorregião. Por já exercer o cargo de deputado federal, Vampiro teria a primazia de disputar outro mandato. Sua saída do MDB, no entanto, deixará o campo aberto para que Edinho Bez construa sua candidatura. O ex-deputado já exerceu cinco mandatos consecutivos na Câmara Federal e disputou outras duas eleições sem êxito, com o mesmo propósito. Concretizado seu projeto em 2026, está será sua oitava candidatura a deputado federal.