Santa Catarina confirmou, nas eleições presidenciais de 2026, sua forte identificação eleitoral com o bolsonarismo. No segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) conquistou 69,42% dos votos válidos, contra 30,58% do presidente Lula da Silva (PT). Mas a comparação entre as duas etapas da eleição revela um movimento que não pode passar despercebido: a votação de Lula aumentou 25,83%, enquanto a de Flávio cresceu 7,33%. O fenômeno ocorreu justamente em um Estado onde a presença eleitoral do PL é particularmente expressiva e onde o resultado final manteve ampla vantagem para o candidato bolsonarista.
No primeiro turno, em 4 de outubro, Lula obteve 1.127.168 votos em Santa Catarina. No segundo, em 25 de outubro, alcançou 1.418.314. Foram 291.146 votos adicionais. Flávio Bolsonaro passou de 3.000.020 para 3.220.071 votos, incorporando 220.051. Considerando a votação inicial de cada um, o crescimento proporcional de Lula foi aproximadamente três vezes e meia o registrado por Flávio. E, embora tenha começado a disputa em posição numericamente muito inferior no Estado, o presidente somou 71.095 votos adicionais a mais que o adversário entre um turno e outro.
Esse desempenho chama atenção porque Santa Catarina também reelegeu Jorginho Mello (PL) governador no primeiro turno, com 68,98% dos votos válidos. A participação de Lula no total de votos válidos aumentou nas seis grandes regiões catarinenses. Na Grande Florianópolis, passou de 32,54% para 39,51%, avanço de 6,97 pontos percentuais. Na região Serrana, foi de 29,33% a 35,24%; no Sul, de 23,53% a 28,99%. Também houve aumento no Norte, no Oeste e no Vale do Itajaí, onde a participação petista avançou de 20,08% para 25,01%. Portanto, o movimento não ficou restrito à capital nem a uma única faixa territorial do Estado.
Os grandes municípios também contribuíram para essa ampliação. Florianópolis registrou 29.514 votos adicionais para Lula; Joinville, 21.888; e Blumenau, 13.666. Entre os destaques na mudança de participação nos votos válidos apareceram Flor do Sertão, no Oeste, com 7,77 pontos percentuais; São Joaquim, com 7,74; e Urupema, com 7,56, ambas na Serra. Os índices regionais e municipais medem ganhos em pontos percentuais, enquanto os 25,83% expressam o aumento relativo dos votos de Lula diante de sua votação no primeiro turno. São medidas diferentes e não devem ser confundidas.
A explicação para o acréscimo de votos exige cautela. Parte dele pode estar relacionada ao comparecimento às urnas, que aumentou entre os dois turnos, assim como à redistribuição dos votos dados anteriormente a outras candidaturas ou de eleitores que haviam votado em branco ou anulado. A totalização, por si só, não identifica quantas pessoas trocaram de candidato. O que ela permite afirmar é que os dois ampliaram suas votações, mas em ritmos proporcionalmente distintos.
A distância nominal entre Flávio Bolsonaro e Lula, que era de 1.872.852 votos no primeiro turno, recuou para 1.801.757 no segundo. A redução foi de 71.095 votos. Flávio preservou ampla vantagem no resultado catarinense, porém Lula diminuiu a diferença em relação a ele. Esse é o retrato das urnas: em um Estado fortemente associado ao bolsonarismo, o presidente petista registrou expansão proporcional maior e ganhou terreno em todas as regiões, mesmo sem alterar a predominância do adversário no resultado final. A diferença é perceptível nos dois turnos.
Finais
A permanência do senador Flávio Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos e sua contestação ao resultado da eleição presidencial provocaram reações dentro da própria direita nesta quinta-feira. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o governador paulista, Tarcísio de Freitas, defenderam o respeito ao resultado das urnas. Flávio sustenta que houve irregularidades, mas não apresentou provas de fraude. A situação amplia as divergências na oposição e coloca em dúvida sua capacidade de liderar o campo conservador a partir do exterior, justamente quando a direita começa a reorganizar suas forças políticas.
O União Brasil deverá liberar seus filiados para participar do quarto governo do presidente Lula da Silva (PT). A informação ganhou força nesta quinta-feira, depois do desgaste provocado pela reação de Flávio Bolsonaro à derrota presidencial. A legenda, que apoiou o candidato do PL, busca agora reposicionar-se no cenário nacional. Com 46 deputados federais eleitos, o partido representa uma importante possibilidade de ampliação da base governista. A decisão deverá ser anunciada na próxima semana e poderá abrir negociações sobre cargos, ministérios e apoio às propostas do Executivo no Congresso.












