Com o peso de quem busca reescrever a correlação de forças no cenário catarinense, a esquerda estadual oficializou, ontem, em Florianópolis, uma frente ampla que tenta equilibrar pragmatismo e ideologia. A chapa traz o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Gelson Merísio (PSB), como candidato ao governo, ladeada por pela ex-deputada estadual Ângela Albino (PDT) como sua vice, enquanto as duas frentes para o Senado ficam sob a responsabilidade do ex-deputado federal Décio Lima (PT) e do vereador da Capital, Afrânio Boppré (PSOL).
Durante a coletiva, em que a chapa foi anunciada, Merísio foi enfático ao declarar que Santa Catarina precisa se reposicionar diante do restante do Brasil, afirmando que a imagem que está sendo vendida do Estado não representa o povo catarinense. Neste sentido, ressaltou que Santa Catarina não é terra de feminicídio nem de nazistas, e que, por conta disto, é preciso recuperar a boa reputação dos catarinenses. Ângela Albino seguiu a mesma toada, destacando que o traço comum da coligação é saber construir pontes e não muros, valorizando as diferenças para alcançar convergências e garantindo que a chapa irá de fato empoderar as mulheres na construção de um projeto real, e não apenas para compor fotografia.
A musculatura política da composição é sustentada por trajetórias extensas dos quatro principais candidatos. Merisio já concorreu ao governo em 2018. Décio Lima levou a esquerda catarinense pela primeira vez ao segundo turno em 2022. Ângela Albino exerce uma forte influência política, especialmente junto às mulheres e ao meio estudantil da Grande Florianópolis. Boppré, por fim, representar o que sobrou da pureza da esquerda em nosso Estado.
De um modo geral, os candidatos da majoritária da esquerda bateram na tecla da unidade, da quebra de barreiras, da integração política, e tudo mais o que compete a esta retórica, mas não perderam a oportunidade de dizer que “os outros” representam o atraso político.
De forma subliminar, mas bastante compreensível, o adjetivo nazista foi citado várias vezes. Na prática, a esquerda diz que quer unir, mas pregando a segregação.
Finais
- Em tempo, vale lembrar, que para dar suporte às candidaturas senatoriais, foram escaladas, como suplentes de Décio Lima, a farmacêutica e funcionária pública de Florianópolis, Elaine Cristina Berger (PDT), que é esposa do ex-senador Dário Berger, e a advogada e empresária de Jaraguá do Sul, Fernanda Klitzke (PT). Já a chapa de Afrânio Boppré terá como suplentes a ex-deputada federal, de Descanso, no Oeste do Estado, Luci Choinacki (PT), e a suplente de deputada federal, Aparecida da Silva, a Cida, do PT de Laguna. Com a presença de Ângela Albino como candidata a vice-governadora, a esquerda terá cinco mulheres na majoritária, feito este nunca realizado por nenhuma outra aliança política no Estado.
- O Supremo Tribunal Federal formou maioria para declarar inconstitucional a lei catarinense, sancionada pelo governador Jorginho Mello (PL), que proíbe a destinação de cotas raciais em universidades estaduais, com os ministros acompanhando o relator Gilmar Mendes. O voto do ministro Edson Fachin destacou que a extinção das cotas sem evidências de superação do racismo estrutural configura um retrocesso social, rejeitando a tese de que apenas critérios socioeconômicos bastam para garantir a igualdade no ensino superior. Os argumentos do Governo do Estado, dando conta que menos de 5% da população de Santa Catarina é composta por negros, indígenas e quilombolas não convenceu o Supremo.










