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Rolando Christian Coelho | PL começa a sentir o peso que será Carlos Bolsonaro

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O cenário político em Santa Catarina, no que diz respeito a disputa pelo Senado Federal, tem se consolidado em torno de três dobradinhas principais, cada uma carregando dinâmicas internas distintas que prometem definir os rumos da campanha no Estado. Enquanto a coesão é a palavra de ordem para duas delas, um dos blocos enfrenta desafios de articulação que já começam a ecoar nos bastidores, levantando questionamentos sobre a verdadeira sintonia entre seus integrantes.
De um lado, as duas alianças de alta coesão demonstram solidez e alinhamento estratégico. A dobradinha entre Esperidião Amin (PP) e Antídio Lunelli (MDB) apresenta um alto nível de sintonia, unindo a experiência de um veterano com o capital político de um gestor, focando na estabilidade e no pragmatismo administrativo para atrair o eleitorado conservador clássico. De forma análoga, no campo da esquerda, Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL) mantêm uma unidade pautada pelo discurso uníssono em defesa do Governo Federal, se apresentando como uma frente sincronizada em oposição ao projeto bolsonarista.
Em contraste, a chapa composta por Carol de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL) enfrenta um cenário de crescente dispersão e desconforto perante o eleitorado. Embora desenhada para galvanizar a base bolsonarista, a parceria tem sofrido com a ausência física e estratégica de Carlos. Ao transferir seu domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Santa Catarina, o pré-candidato justificou a manobra sob o argumento de que “renasceu” no Estado, mas a narrativa parece insuficiente para camuflar a falta de raízes locais e a distância das demandas catarinenses.
O distanciamento se torna ainda mais evidente à medida que Carlos prioriza a agenda nacional, se dedicando intensamente à campanha presidencial de seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL), em diversos Estados do país. Esse comportamento tem gerado críticas contundentes: a percepção é de que o candidato não está se inteirando dos problemas estruturais e sociais de Santa Catarina, tratando a vaga ao Senado mais como um projeto de conveniência familiar do que como um compromisso real com a população de nosso Estado. Enquanto Santa Catarina enfrenta desafios complexos, a prioridade dada às agendas externas por parte de Carlos Bolsonaro reforça a imagem de uma candidatura que carece de identidade local. Essa desconexão, somada ao fato de não ser natural do Estado, alimenta o descontentamento de parte da base aliada e do eleitorado, transformando a disputa em um cenário onde o oportunismo político parece se sobrepor ao interesse público catarinense. Os desdobramentos dos próximos 90 dias dirão se o prestígio do sobrenome Bolsonaro será suficiente para superar essa lacuna, ou se o distanciamento de Carlos com a realidade catarinense resultará em um desgaste definitivo para a chapa do PL.
Finais
A grande verdade é que o próprio PL de Santa Catarina não quer Carlos Bolsonaro como candidato ao Senado, justamente por esta soma de situações: ele não é catarinense, se mudou para o Estado meramente para disputar a eleição, não participada da política estadual, e agora, sequer participa de sua própria pré-campanha, se dedicando a campanha de seu irmão à Presidência. Todavia, quem impôs o projeto goela abaixo, ao governador Jorginho Mello (PL), foi o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro, e, como se sabe, tanto na vida, quanto na política: manda quem pode, obedece quem tem juízo.
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