Deputado estadual Tiago Zilli tem saído em defesa da tese de candidatura própria de seu partido, o MDB, ao Governo do Estado, nas eleições deste ano. De acordo com ele, a legenda não pode mais se “esconder das urnas” nos pleitos eleitorais, apoiando candidatura de outro partido, como aconteceu no pleito de 2022, quando o ex-prefeito de Joinville, Udo Döhler concorreu como candidato a vice do então governador Carlos Moisés da Silva, então filiado ao Republicanos. A última candidatura do MDB ao governo foi protagonizada pelo então deputado federal Mauro Mariani, em 2018, mas nos pleitos de 2010 e 2014 o partido também havia se sujeitado a concorrer como vice de Raimundo Colombo (PSD), eleito governador nas duas eleições. Já Mariani, sequer chegou ao segundo turno, notadamente por conta da falta de unidade partidária.
Na prática, nas últimas quatro eleições estaduais, o partido só teve candidatura própria ao governo em uma delas, o que, notadamente, enfraqueceu a legenda em nível estadual, com os principais reflexos sendo observados no número de cadeiras legislativas conquistadas pelo partido em nível estadual e federal. Na última eleição que disputou sem divisões internas, reelegendo Luiz Henrique da Silveira, em 2006, o MDB elegeu cinco deputados federais e 11 estaduais. Na atual legislatura, conta com apenas três federais e seis estaduais, correndo o sério risco de diminuir estas vagas se não tiver candidato próprio ao governo.
O comando estadual do MDB já está consultando suas bases, para saber qual rumo tomar diante das eleições de outubro, depois que o governador Jorginho Mello (PL) declinou de manter o compromisso com o partido, que, em princípio deveria ser seu vice. De acordo com Tiago Zilli, a tese de apoiar Jorginho sem fazer parte da majoritária é totalmente descartada pelo comando emedebista, ainda que esta tese também faça parte da oitiva que tem se dado com a base da legenda.
As teses mais defendidas são, respectivamente, a de candidatura própria ao governo; a de apoio, na condição de vice, do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), e a de apoio, na condição de vice, do ex-deputado estadual Gelson Merísio, que está filiado ao Solidariedade, mas que deverá migrar para o PSB para disputar o Governo do Estado.
Conforme Tiago, o sentimento junto as bases do partido convergem para o lançamento de uma candidatura própria, com esperanças de se chegar ao segundo turno, recebendo o apoio daqueles candidatos que não chegassem, que, do ponto de vista do MDB, seriam João Rodrigues e Merisio.
Finais
- Corre a boca miúda na capital do Estado que o ex-governador Eduardo Moreira deverá deixar o MDB e se filiar ao PDT, para disputar o Senado Federal, na eleição deste ano, com o objetivo de reforçar a chapa majoritária a ser encabeçada por Gelson Merisio, que está com um pé e meio no PSB, do vice-presidente Geraldo Alckmin. A outra vaga ao Senado, na chapa a ser encabeçada por Merisio, já está endereçada ao presidente do Sebrae Nacional, Décio Lima (PT). A vaga de vice, em princípio, está mapeada para o ex-senador Dário Berger, que atualmente está filiado ao PSDB, mas que poderá buscar abrigo em uma legenda de esquerda para fazer parte da majoritária do grupo que fará palanque para o projeto de reeleição do presidente Lula da Silva (PT) em Santa Catarina.
- Especulações cada vez maiores dando conta que o senador Esperidião Amin (PP) iria declinar de disputar à reeleição, para concorrer à Câmara Federal, foram desmentidas por ele no final de semana. De acordo com o senador, seu único projeto diante de 2026 é concorrer mais uma vez ao Senado. Em um vídeo, publicado em suas redes sociais, Amin reiterou seu projeto, o que foi interpretado como uma resposta ao governador Jorginho Mello, que, em princípio, disse que as vagas ao Senado em sua majoritária serão da deputada federal Carol de Toni e do ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro, ambos do PL. Nesta configuração, não haveria espaço para Amin na chapa de Jorginho. O governador, no entanto, diz querer a federação União Progressistas, que congrega União Brasil e Progressistas, como sua aliada. Pela posição de Amin, isto não acontecerá. Sem espaço na majoritária de Jorginho Mello, o senador deverá nutrir esforços para que a federação se alie ao projeto de João Rodrigues.










