O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou neste sábado (3) a realização de um ataque militar em larga escala na Venezuela, que teria resultado na captura do presidente Nicolás Maduro. A informação foi divulgada oficialmente pelo governo norte-americano e repercutiu imediatamente na comunidade internacional.
De acordo com autoridades dos EUA, a operação teve início por volta das 3h da madrugada (horário de Brasília) e atingiu Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Ainda segundo Washington, Maduro e a primeira-dama Cilia Flores foram retirados do território venezuelano em uma ação conjunta envolvendo tropas de elite e forças policiais americanas.
Explosões, blecaute e tensão em Caracas
Relatos de testemunhas e equipes jornalísticas indicam que, durante cerca de 90 minutos, foram ouvidas explosões intensas, além de registros de colunas de fumaça e aeronaves sobrevoando a capital em baixa altitude. Moradores de áreas costeiras afirmaram que o céu chegou a ficar avermelhado e que o solo tremeu com os bombardeios.
Logo após o início da ofensiva, diversos bairros de Caracas ficaram sem energia elétrica, aumentando o clima de tensão e incerteza na cidade.
Paralelamente à operação militar, a Administração Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos proibiu voos de aeronaves americanas no espaço aéreo venezuelano, citando riscos elevados à segurança em razão das ações militares em curso.
Trump classificou a ofensiva como uma “operação brilhante” e anunciou que dará mais detalhes em uma coletiva de imprensa na Flórida.
Acusações de narcotráfico e motivação da ação
A intervenção ocorre em meio a um histórico de acusações feitas pelo sistema judicial norte-americano contra Nicolás Maduro. Em 2020, os EUA acusaram o presidente venezuelano de narcoterrorismo e conspiração para o tráfico internacional de cocaína, alegando que ele liderava o chamado “Cartel de los Soles”.
À época, o governo americano ofereceu uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à sua prisão. Segundo autoridades dos Estados Unidos, a captura teria como objetivo levar Maduro a julgamento em solo americano.
Emergência nacional e reações internacionais
Em resposta aos ataques, o governo da Venezuela decretou estado de emergência nacional e ativou planos de defesa. A vice-presidente Delcy Rodríguez afirmou que o governo não sabe onde Maduro e Cilia Flores estão no momento.
O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, declarou que o país resistirá à presença de tropas estrangeiras e denunciou ataques a áreas civis.
A ofensiva dividiu a comunidade internacional. Rússia e Cuba condenaram duramente a ação, classificando-a como agressão armada e ataque criminoso. A Colômbia manifestou preocupação com a segurança da população civil, enquanto o Chile defendeu uma solução pacífica por meio do diálogo. Na Argentina, o presidente Javier Milei comemorou a ação. Já a União Europeia pediu moderação e respeito ao direito internacional.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião de emergência no Itamaraty com diplomatas e militares para avaliar os impactos da crise. A Venezuela também solicitou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU, alegando violação de sua soberania.
Cenários para o futuro da Venezuela
Segundo a Constituição venezuelana, em caso de “ausência absoluta” do presidente, o poder deve ser assumido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez, que teria a obrigação de convocar novas eleições em até 30 dias.
Analistas avaliam diferentes cenários, que vão desde uma transição institucional controlada até o colapso do regime, com renúncia ou fuga de lideranças. Entre os nomes da oposição, o mais citado é Edmundo González Urrutia, candidato nas eleições de 2024 e atualmente exilado na Espanha, com apoio da ativista María Corina Machado, vencedora recente do Prêmio Nobel da Paz.
A situação permanece instável, com desdobramentos acompanhados atentamente por governos e organismos internacionais.










