PolíticaRolando Christian Coelho | MDB já está com Jorginho Mello

Rolando Christian Coelho | MDB já está com Jorginho Mello

spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
Se não de forma oficial, mas mais do que notadamente de forma prática, o MDB catarinense já está fechado com o projeto de reeleição do governador Jorginho Mello (PL), em que pese o descontentamento do presidente estadual da sigla, o deputado federal Carlos Chiodini. Na segunda-feira à noite, 56, dos 70 prefeitos do partido, hipotecaram apoio ao projeto de reeleição do governador, a exemplo da senadora Ivete Appel da Silveira, do deputado federal Valdir Cobalchini e dos deputados estaduais Antídio Lunelli, Jerry Comper e Fernando Krelling. Em números absolutos, 80% dos prefeitos do partido estão com Jorginho Mello, a exemplo de 50% dos deputados estaduais e da bancada federal. Há de se ressaltar que o deputado federal Rafael Pezente, que tem se posicionado pelo lançamento de uma candidatura própria do partido ao Governo do Estado, é ligado ao agronegócio e bolsonarista declarado. Sendo assim, a possibilidade que ele convirja para a candidatura de Jorginho é só uma questão de tempo.
Os três deputados estaduais que não querem aliança com Jorginho Mello são Tiago Zilli, Volnei Weber, que não disputará a reeleição, e Mauro de Nadal, que chegou à presidência da Assembleia Legislativa pelas mãos de Júlio Garcia (PSD), que, por sua vez, é o principal articular do projeto do ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), ao Governo do Estado.
Em que pese o fato da maioria dos líderes emedebistas estar convergindo para Jorginho Mello, isto não significa que o partido estará com ele. Vale ressaltar que Carlos Chiodini, que preside a legenda no Estado, também é o terceiro vice-presidente do MDB em nível federal, e amigo pessoal do presidente nacional do partido, o deputado federal Baleia Rossi. Sendo assim, a exemplo do senador Esperidião Amin, com o seu Progressistas, Carlos Chiodini pode levar o MDB a apoiar quem ele quiser, e o beneficiado com isto, provavelmente será João Rodrigues.
O grande erro de Carlos Chiodini foi não ter bancado uma candidatura própria do MDB ao governo estadual, algo que vinha sendo solicitado pelas bases do partido em encontros regionais realizados em todo o Estado. Ao invés disto ele convergiu para a candidatura de João Rodrigues, sem uma consulta maior às principais lideranças emedebistas, o que teria que incluir, inevitavelmente prefeitos, vice-prefeitos e vereadores.
Finais
  • Como resumo desta história, o que se observa de forma cada vez mais clara é que João Rodrigues está construindo um projeto majoritário factoide, não por sua culpa, mas por culpa dos caciques dos partidos aliados, que não conseguem manter a unidade partidária em torno de seu projeto. No Progressistas, Esperidião Amim deverá ser o único líder de renome a estar com João Rodrigues. Todos os demais ou já estão com Jorginho Mello ou estão a caminho. No MDB o que se vê é Carlos Chiodini e a esquerda do partido aliada a João Rodrigues, grupo que se resume a 30% da legenda. Os outros 70%, no entanto, ou já estão, ou estarão com Jorginho. Isto sem falar nos graves problemas que João Rodrigues enfrentou e enfrenta dentro de seu próprio partido. Vale ressaltar que o ex-prefeito de Chapecó não é o algoz desta situação, ele é a vítima. O fato é que os líderes dos aliados lhe prometeram uma coisa e estão lhe entregando outra, assim como muitos dos caciques do próprio PSD fizeram a mesma coisa.
  • Pelo andar da carruagem, Jorginho Mello caminha a passos largos para vencer as eleições deste ano, com vistas a um segundo mandato, ainda no primeiro turno. Na primeira etapa da eleição Gelson Merisio (PSB) dificilmente ultrapassará os 20% dos votos válidos. Imaginar que João Rodrigues chegaria a 30% seria uma utopia, já que seu projeto, a cada dia que passa, conta com cada vez menos capilaridade eleitoral. Sem dúvidas a história seria outra se o MDB e o Progressistas estivessem de fato fechados com ele, mas este, nem de longe, é o caso. Dependendo das estratégias que serão colocadas em prática por Jorginho Mello, o candidato do PSD irá precisar se esforçar muito para não ser ultrapassado por Merisio, principalmente porque os eleitores bolsonaristas, simpatizantes de João Rodrigues, provavelmente irão descarregar alguns milhares de votos em Jorginho Mello para liquidar a eleição já no primeiro turno. Isto fará com que o candidato do PSD caia de forma substancial, podendo ser, até mesmo, ameaçado pela esquerda no que diz respeito a percentuais de votos.
spot_img
spot_img
spot_img

Matérias Relacionadas

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui