As empresas precisam de lideranças com boa formação. Tanto que, em 2026, o desenvolvimento de líderes está no topo entre as prioridades para 57,4% das empresas brasileiras. Os dados são do Relatório de Tendências em Gestão de Pessoas da Great Place to Work (GPTW), que está em sua 8ª Edição, e reforçam a importância da liderança, como competência, para o sucesso das organizações. Como o investimento em qualificação mexe no caixa, isso representa que as empresas estão mais conscientes sobre o papel e a influência dos líderes para fortalecimento da cultura organizacional, implantação de processos, engajamento de pessoas e capacidade de tomar decisões frente a cenários cada vez mais complexos e imprevisíveis. Aspectos que impactam na produtividade e lucratividade de qualquer negócio.
Além dos treinamentos corporativos, muitos líderes têm buscado, por conta própria, desenvolver habilidades para atuar com mais segurança e assertividade. Você já deve ter reparado que mentorias, cursos e livros sobre o tema estão em alta. E, se existe a oferta, é porque a procura é grande também. De olho nisso, o mercado editorial se movimenta e líderes já validados por grandes corporações tornam-se escritores e revelam um pouco dos bastidores da gestão.
É isso que Valerie Cockerell fez ao publicar o livro Lidere como uma mãe. Na obra, a autora revela como o currículo invisível da maternidade contribuiu para sua ascensão na liderança da Walt Disney World e em sua carreira como consultora. Mãe de três, Cockerell constrói uma analogia sensível e muito coerente: mostra que as habilidades lapidadas no dia a dia do lar não são apenas úteis, mas essenciais para quem deseja comandar negócios com excelência. “[…] encontrei muitos pontos em comum entre o que é preciso para ser um grande líder e o que faz uma boa mãe.”, afirma a executiva.
E antes que você pense que o livro foi escrito apenas para mães, a autora é clara: “A maternidade é uma grande fonte de inspiração para traços e comportamentos de lideranças excepcionais, mas você não precisa ser mãe para se beneficiar da sabedoria materna.
Além de Cockrell, Simon Sinek, referência em liderança inspiradora e autor do livro Comece pelo porquê, também evidencia o modo de liderar das mães. Em uma entrevista recente, ele foi categórico: “no que se refere ao meu método, líderes que são mães mostram-se muito mais competentes ao aplicá-lo. E isso acontece porque elas são mais hábeis em acolher novos conhecimentos, adaptar-se a mudanças e fazer gestão de talentos. Esse conjunto de habilidades servem como modelo de liderança para o futuro.”
Em síntese, o que os dados da GPTW, a tese Cockerell e a fala de Sinek nos dizem é que a liderança do futuro tem um coração antigo. As respostas para os desafios complexos de 2026 demandam, em parte, um olhar atento à essência das relações humanas. Reconhecer a sabedoria materna no mundo corporativo confirma-se como uma estratégia de gestão e, ao mesmo tempo, um resgate à nossa humanidade. Afinal, liderar é um ato de cuidar, de acreditar no potencial do outro, de acompanhar com um distanciamento saudável, de acreditar antes do pronto, de ver antes do resultado, de comunicar o óbvio.
As empresas buscam hoje líderes capazes de inspirar confiança em tempos incertos e boas mães são basilares nisso. Às vésperas deste Dia das Mães, este texto é um convite para observarmos e agradecermos às valiosas lições que aprendemos com nossas mães. O mundo corporativo parece dar os primeiros sinais de valorização à sabedoria materna como fator de desenvolvimento de liderança. Por fim, retorná-las a elas, as mães, geradoras e gestoras do projeto mais importante que há: a vida.









