PolíticaRolando Christian Coelho | Os estratagemas de Lula para vencer em 2026

Rolando Christian Coelho | Os estratagemas de Lula para vencer em 2026

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A arte da política, quando o dinheiro minguado dita o ritmo da valsa, exige que o governante troque a caneta do cheque pela agulha da costura fina. É o que se vê no Palácio do Planalto. Com os cofres sob a vigilância cerrada do rigor fiscal e o orçamento para transferências diretas aos entes subnacionais sofrendo de uma anemia crônica, o presidente Lula da Silva (PT) percebeu, cedo, que não venceria a batalha pela narrativa e pela manutenção de sua base, apenas com promessas de obras que não têm saído do papel. O jogo agora é outro: é a política do impacto direto no bolso, na prateleira do mercado e no nome sujo do cidadão.

Para contornar a escassez que aperta o calo de prefeitos e governadores, que clamam por recursos que não vêm, o Governo Federal montou um tabuleiro de xadrez onde as peças são as medidas de efeito imediato e custo fiscal diluído. O programa “Desenrola Brasil” foi a primeira cartada desse baralho. Ao lavar a alma de milhões de inadimplentes e devolver o crédito ao mercado sem a necessidade de um desembolso monumental do Tesouro, Lula entregou alívio imediato a quem estava com a corda no pescoço. É o tipo de medida que gera gratidão na base da pirâmide e não depende da boa vontade de um prefeito para chegar ao destino final.

Na mesma toada, a reestruturação da faixa de isenção do Imposto de Renda, alçando a faixa de isenção para R$ 5 mil, é um truque de mestre na psicologia do eleitor. É um aumento salarial por decreto, sem que a folha de pagamento do setor privado ou público precise, necessariamente, ser onerada na ponta. Some-se a isso a política de valorização real do salário mínimo e a robustez conferida ao Bolsa Família, agora com bônus por composição familiar, e temos o desenho de uma estratégia que ignora o intermediário político. O Planalto decidiu que, se não pode ser o provedor das prefeituras, será o provedor do indivíduo.

Claro, há o risco do desgaste silencioso. O prefeito, na ponta da linha, sente o desamparo de Brasília e a população, embora grata pelos auxílios, ainda cobra o asfalto, a escola reformada e o posto de saúde que depende, sim, da transferência voluntária. Mas o cálculo político é frio: o presidente aposta que, na cabine de votação, o eleitor recorda com mais nitidez o boleto que deixou de pagar, ou o imposto que deixou de incidir sobre o seu contracheque, do que a placa de obra que nunca foi inaugurada em sua cidade. É uma aposta de alto risco, desenhada para viabilizar a reeleição navegando entre a austeridade necessária e o populismo fiscalmente sustentável, transformando a escassez de recursos em uma engenharia de sobrevivência política que, por enquanto, mantém o governo respirando por aparelhos, mas com o eleitorado, ao menos em partes, satisfeito.

Finais

  • Senador Esperidião Amin (PP) saiu pela tangente e não compareceu ao encontro do PSD, em Lages, que contou com a presença do presidenciável Ronaldo Caiado. Na prática, restou provado que Amin quer os votos do PSD para se reeleger senador, mas não quer se comprometer com o palanque eleitoral do PSD no Estado, que terá, sim, Ronaldo Caiado ao lado de João Rodrigues, que é o candidato do PSD ao Governo do Estado. O senador, sabe-se lá porque, ainda nutre a expectativa que o eleitor catarinense, que é iminentemente bolsonarista, irá preferir votar nele do que em Carol de Toni ou Carlos Bolsonaro, ambos do PL, na disputa pelo Senado. A pretensão de Amin destoa totalmente de sua capacidade de assimilação da realidade. Agora, além de não ter o segundo voto do PL para sua candidatura, também começa a fomentar o descrédito do PSD ao seu projeto.
  • Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Nunes Marques, mandou suspender uma pesquisa, realizada pelo Instituto Atlas/Intel, que colocava o senador Flávio Bolsonaro (PL) com percentuais abaixo dos que ele havia auferido em outras pesquisas recentes da mesma empresa. O argumento para a proibição da divulgação está ligado ao fato de a Atlas/Intel ter questionado os eleitores sobre o envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, do Banco Master. Nunes Marques argumentou que tal questionamento não constava em outras pesquisas, e que, portanto, a narrativa da Atlas/Intel era tendenciosa. Bom, não obstante ao fato de Nunes Marques ter sido indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para o STF, o fato é que a Atlas/Intel não havia feito nenhum questionamento do gênero anteriormente, simplesmente porque ninguém sabia das ligações perigosas entre Flávio e Vorcaro até um mês atrás.
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