O clima nos bastidores do Partido Novo em Santa Catarina está para lá de quente, em que pese o frio que vem acometendo nosso Estado. A iminente crise ameaça a unidade da sigla e seus projetos estratégicos para 2026, tanto em nível estadual quanto nacional. A tensão foi deflagrada por uma diretriz clara do diretório estadual, que decidiu retirar o convite destinado ao pré-candidato à presidência da legenda, Romeu Zema, para o encontro do Novo marcado para o início de julho em Joinville. O presidente estadual do partido, Kahlil Elias Assib Zattar, condicionou o apoio à pré-candidatura de Zema a uma mudança drástica e imediata na estratégia de comunicação de sua equipe.
O estopim desse movimento reside na insistência de Zema em tecer críticas públicas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), que também é pré-candidato à Presidência da República, especialmente no que se refere a episódios recentes envolvendo denúncias de proximidade com o empresário Daniel Vorcaro. Tal postura tem gerado um desgaste profundo na relação entre o Novo e o PL, cujas lideranças nacionais e estaduais, como o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e a deputada catarinense Júlia Zanatta, reagiram com contundência, chegando a cogitar o rompimento das coligações entre as siglas em todo o território nacional.
A gravidade do impasse ganha contornos específicos em Santa Catarina, onde o Partido Novo aposta todas as suas fichas na manutenção da aliança com o governador Jorginho Mello (PL). O ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva, é a peça-chave dessa estratégia como pré-candidato a vice-governador na chapa situacionista. Caso Zema persista em manter um tom de oposição ou críticas constantes aos expoentes do PL, o projeto político de Adriano Silva corre risco real de ser inviabilizado pelo estremecimento das relações entre as cúpulas partidárias.
Para o diretório estadual do Novo catarinense, o momento atual exige um esforço concentrado na unidade da direita para derrotar o projeto petista em 2026, relegando disputas internas e ataques entre lideranças de ideologia semelhante a um plano secundário. O ultimato enviado a Zema funciona, portanto, como uma tentativa desesperada de blindar a aliança local das consequências do comportamento adotado pela pré-campanha presidencial. A manutenção da candidatura de Adriano Silva à vice-governadoria depende agora diretamente de uma pacificação que parece cada vez mais distante, colocando o futuro do Novo em Santa Catarina em uma posição de vulnerabilidade perante os movimentos da política nacional.
Ao barrar Romeu Zema em Santa Catarina, o Novo deixa claro que não concorda com a posição dele em relação a Flávio Bolsonaro. A não concordância, no entanto, não deverá acalmar os âminos dos liberais mais afoitos. O fato é que Adriano Silva só conseguirá se manter como candidato a vice de Jorginho Mello se, de fato, Zema lagar do pé de Flávio Bolsonaro. Do contrário, fatalmente Jorginho escolherá outro candidato para disputar seu projeto de reeleição.