À medida que os riscos psicossociais têm ganhado mais atenção no ambiente corporativo, é cada vez mais comum encontrar líderes com receio de usar os canais formais para fazer cobranças quanto à entrega de resultados. Entretanto, isso pode ser uma confusão que precisa ser melhor analisada, e a comunicação organizacional pode contribuir muito para superar equívocos que impactam na cultura e no clima das organizações.
Atualmente é muito comum encontrar líderes que hesitam em estabelecer limites, mas é preciso reforçar que cobrar resultados não pode ser associado ao adoecimento das pessoas no ambiente corporativo. O que adoece é a forma como essa cobrança é comunicada.E , aqui, eu gosto de acionar duas palavras que representam muito bem a diferença entre combinado, cobrança e assédio. As palavras são: pressão e tensão.
A pressão é uma força externa inerente ao ambiente profissional: prazos, metas e concorrência. Na física, ela tira os corpos da inércia; nas empresas, faz o mesmo. É objetiva, explícita e focada no resultado (“o quê” e “quando”). Cobrar uma entrega com padrão de qualidade e prazo definido é pressão saudável.
Já a tensão é interna. Ela nasce e é alimentada por diversos fatores, considerando o posicionamento do gestor e a compreensão de mundo dos membros de uma equipe. Parte da tensão não é controlada, pois muitos liderados tendem a lidar mal com pressão e entendê-la como tensão, e, nesse caso, a empresa precisa tornar clara a diferença e reduzir essa percepção. Entretanto, muitas vezes, o nível de tensão da equipe se dá por escolhas e equívocos na comunicação da liderança. Nesse caso é o não dito, o medo, a desconfiança e as ameaças veladas que começam a fazer parte do cotidiano da equipe e isso precisa ser revisto, pois é a tensão que precisa ser extinta da cultura oculta da empresa. Afinal, enquanto a pressão foca na tarefa, a tensão ataca o indivíduo (“quem”). Manifesta-se de forma passivo-agressiva, com silêncios obstrutivos e microgerenciamento. A tensão gera insegurança psicológica e paralisa.
Confundir pressão e tensão custa caro para empresas e profissionais. Para a carreira, o profissional que não distingue as duas forças reage na defensiva a feedbacks, enxergando inimigos onde há apenas metas. Para as empresas, liderar gerando tensão gera paralisia. Talentos vão embora não pela pressão das metas, mas pela toxicidade da tensão.
A comunicação organizacional é a chave para mudar esse cenário, resgatando a clareza. Não tema cobrar, mas faça-o de forma madura:
- Separe o problema da pessoa: foque em fatos e prazos, evite julgamentos.
- Explicite o implícito: a tensão se alimenta de entrelinhas. Fale abertamente.
- Garanta apoio: a pressão por metas exige suporte mútuo.
A pressão é inevitável e nos desafia a crescer, enquanto a tensão precisa ser extinta das relações com maturidade e dados objetivos. Da próxima vez que for cobrar uma entrega, pergunte-se se está comunicando a urgência do prazo ou apenas despejando tensão. A resposta ajuda a entender como você se posiciona e que tipo de carreira e/ou negócio está construindo.







