Descobri recentemente que há uma expressão em inglês específica para qualificar profissionais ou marcas confiáveis: walk the talk. O que ela significa? “Agir de acordo com o que se fala”. Sabe aquela empresa ou profissional que a gente recomenda sem medo porque sabe que é ponta firme? Então, o walk the talk é o ponta firme, que faz aquilo que promete.
Por outro lado, se existe uma expressão só para qualificar um profissional que entrega o que promete, é porque o comportamento oposto é muito comum. Ou seja, temos uma realidade no ambiente profissional na qual muitas pessoas apresentam discursos distantes de suas práticas. Essa distância tem nome técnico: gap de autenticidade (o que pode ser traduzido como uma lacuna ou um buraco de autenticidade).
Na área da comunicação corporativa, usam-se os conceitos de marca e reputação para ajudar a classificar esse gap: marca é o que você diz e como se comporta; reputação é o que os outros dizem sobre você, baseado no que percebem. Entre essas duas coisas, existe quase sempre uma distância. Todos nós, profissionais, podemos apresentar esse gap. O que acontece na prática é que quanto menor esse gap, maior a confiabilidade que você gera nas pessoas. Quanto maior o gap, mais esforço você fará para corresponder a expectativas que, geralmente, não conseguirá atender plenamente. E o pior: há um risco gigantesco de deixar de utilizar competências e habilidades que você dominaria com mais fluidez e consistência.
Isso pode acontecer com uma empresa, um gestor experiente, um profissional iniciante, etc. Pense em um líder que diz ter as portas abertas para receber qualquer pessoa da equipe, mas nunca tem tempo disponível na agenda para efetivamente atendê-la. Ou em um profissional que se vende como altamente capacitado, mas vive deixando projetos inacabados por falta de conhecimento específico. Ou em uma empresa que estampa valores de diversidade no site, mas não pratica isso nas vivências internas. Em todos os casos, o problema não é o discurso — é que ele não encontra respaldo na experiência de quem observa.
Em tempo, vale ressaltar que nem toda discrepância nasce de má-fé. Muitas vezes a pessoa (ou a organização) genuinamente acredita no que diz, só não percebeu ainda que a prática não dá conta do discurso. O gap desse tipo é muito perigoso porque existe uma autopercepção distorcida que mantém as coisas como estão, sem avaliação e melhoria, o que fragiliza o profissional e/ou a organização.
A boa notícia é que esse gap pode ser medido e reduzido de forma intencional. Se você quer saber que reputação tem como profissional, pode pedir uma avaliação no próprio ambiente de trabalho, entre colegas e chefia. Compare com o que você acredita que está entregando. A diferença entre as duas respostas é o seu gap. O mesmo se aplica a empresas ou organizações.
Reduzir essa distância pode ser uma boa meta para melhorar seu desempenho no trabalho e alcançar mais resultados. Diminuir o gap significa garantir que cada coisa que você afirma sobre si tenha um comportamento correspondente. Afinal,é preciso salientar que você reduz o gap de autenticidade na medida em que se torna mais previsível em relação ao que entrega e, por isso, mais confiável. Afinal, aquilo que você diz e aquilo que as pessoas veem precisam ser, cada vez mais, a mesma coisa. Isso é o que constrói uma reputação admirável e faz da sua carreira e do seu negócio uma referência para ser recomendada e apreciada pelas pessoas.








